sábado, 4 de abril de 2020

Ministério da Saúde se contradiz e informa não ser nada obrigatório


Em informação repassada pelo Observatório Brasileiro de Biólogos para o Coronavírus (OBBC), fomos informados que o Conselho Federal de Farmácia atualizou uma informação importante sobre a o cadastramento e participação do curso de capacitação até ontem obrigatório para todos os profissionais da Saúde legalmente habilitados (registro ativo e regular nos conselhos).

O Conselho Federal de Farmácia informa que em reunião ontem (03/04, sexta) com o Ministério da Saúde, o MS informou não ser obrigatório o cadastramento e a realização do curso de capacitação, assim como o voluntariado, sendo este último opcional desde o início.

Assim o Ministério da Saúde volta atrás com as informações implícitas da Portaria nº 639/2020 e a obrigatoriedade explícita dos ofícios enviados aos conselhos de saúde.

Veja o que diz no site do CFF para os Farmacêuticos abaixo:

O cadastramento e a participação no curso de capacitação são obrigatórios?
Embora a portaria traga implícita essa obrigatoriedade, o Ministério da Saúde, em reunião nesta sexta-feira, dia 03 de abril, disse que não. A portaria diz que devem se cadastrar os profissionais da saúde com inscrição ativa em seus conselhos profissionais, pertencentes às seguintes categorias: Serviço social, Biologia, Biomedicina, Educação Física, Enfermagem, FARMÁCIA, Fisioterapia e Terapia Ocupacional, Fonoaudiologia, Medicina, Medicina Veterinária, Nutrição, Odontologia, Psicologia e Técnicos em Radiologia.


Quem não realizar o cadastro o que acontece?

Apesar de não estabelecer medidas punitivas ou restritivas, o Ministério da Saúde informará aos conselhos de classe os profissionais que não atenderem ao chamado público.
Fonte: Conselho Federal de Farmácia (CFF) Covid-19


O Conselho Federal de Serviço Social (Assistentes Sociais) indicou que a reunião demonstrou a não obrigatoriedade, porém considera importante a participação dos Assistentes Sociais.

Estão começando a aparecer informações mais claras sobre o possível pagamento, caso o profissional seja chamado para trabalhar.

Fonte: Conselho Federal de Serviço Social

O que diziam os ofícios enviados aos conselhos de saúde:

"5. Quando da finalização do cadastro, o profissional será direcionado a um link para acesso a capacitação obrigatória nos protocolos oficiais de combate ao coronavírus (COVID-19), aprovados pelo Centro de Operações de Emergências em Saúde Pública. 

8. Devido à atual situação emergencial, ressalto o caráter obrigatório do cadastramento dos profissionais e da parcipação na capacitação acima mencionada, conforme disposição da Lei Federal nº 13.979, de 06 de fevereiro de 2020, especialmente o inciso VII do Argo 3º da mesma, que estabelece as medidas para enfrentamento da emergência de saúde pública de importância internacional decorrente do coronavírus (COVID-19) e Portaria GM/MS nº 356, de 11 de março de 2020, que dispõe sobre a regulamentação da mencionada Lei". 


Acompanhe todas as notícias e atualizações no link abaixo:




Ministério da Saúde convoca Biólogos para capacitação obrigatória

CFBio publica sobre o assunto:

https://cfbio.gov.br/2020/04/04/cfbio-participa-de-reuniao-com-ministerio-da-saude-sobre-portaria-no-639-2020/




quinta-feira, 2 de abril de 2020

Ministério da Saúde convoca Biólogos para capacitação obrigatória



Diante da pandemia mundial do Coronavírus, o Ministério da Saúde convocou 15 profissões da saúde regulamentadas que possuem seus conselhos de fiscalização.

São eles:
  1. Assistente Social;
  2. Biólogo;
  3. Biomédico;
  4. Profissional de Educação Física;
  5. Enfermeiro;
  6. Farmacêutico;
  7. Fisioterapeuta;
  8. Terapeuta Ocupacional;
  9. Fonoaudiólogo;
  10. Médico;
  11. Médico Veterinário;
  12. Nutricionista;
  13. Cirurgião-dentista;
  14. Psicólogo;
  15. Técnicos em Radiologia.
Desde o final de março, o Ministério da Saúde vem solicitando aos conselhos de saúde os bancos de dados de todos os profissionais. Tivemos acesso aos ofícios enviados ao Conselho Federal de Biomedicina e ao Conselho Federal de Medicina Veterinária e confirmamos ontem, com membros do Conselho Federal de Biologia, que também receberam um no mesmo molde.

Esse banco de dados servirá em pelo menos duas situações: comprovar a veracidade de registro profissional, se está realmente ativo e se ele existe, e poderá ser utilizado para o Ministério da Saúde informar os conselhos dos profissionais que não responderem ao chamado para o cadastro e o curso de capacitação obrigatório, objeto dessa publicação.

A PORTARIA Nº 639, DE 31 DE MARÇO DE 2020, que dispõe sobre a Ação Estratégica "O Brasil Conta Comigo - Profissionais da Saúde", voltada à capacitação e ao cadastramento de profissionais da área de saúde, para o enfrentamento à pandemia do coronavírus (COVID-19), foi publicada hoje no Diário Oficial da União. Você pode verificar clicando aqui. 

A portaria citada acima trata de um cadastro a nível nacional das 15 Profissões da Saúde, e você biólogo com registro ativo, é obrigado a se cadastrar. Ao completar esse cadastro, você terá que realizar um curso de capacitação sobre o enfrentamento ao Coronavírus. Esse curso possui 3 níveis, com material de apoio em PDF, vídeo aula e 3 questionários.

Nesse momento, a capacitação foca em 3 possíveis níveis de atendimentos: 
  • Unidades de Atenção Primária na Saúde;
  • Unidades de Urgência (UPAS e Hospitais);
  • Unidades de Terapia Intensiva.
A capacitação servirá para dois tipos de atuação: direta ou teleatendimento.

No cadastro se encontram campos para indicação de local de trabalho atual, especialidade, se está ou não atuando no combate a pandemia, se você é do grupo de risco ou não, dentre outras. Isso facilitará ao gestor usar filtros de busca em caso de necessidade de convocação.

Que fique bem claro: todo biólogo com registro ativo/regular no CRBio, precisa fazer esse cadastro e o curso de capacitação.

Link para cadastro: 
https://registrarh-saude.dataprev.gov.br


Atualização 04/04/2020

Ministério da Saúde se contradiz e em reunião com os conselhos da saúde no dia 03/04/2020 (sexta) informa não ser obrigatório o cadastro e a participação, entrando em contradição com seus documentos oficiais e solicitação de dados aos Conselhos. Veja o que diz o Conselho Federal de Farmácia:

O cadastramento e a participação no curso de capacitação são obrigatórios?
Embora a portaria traga implícita essa obrigatoriedade, o Ministério da Saúde, em reunião nesta sexta-feira, dia 03 de abril, disse que não. A portaria diz que devem se cadastrar os profissionais da saúde com inscrição ativa em seus conselhos profissionais, pertencentes às seguintes categorias: Serviço social, Biologia, Biomedicina, Educação Física, Enfermagem, FARMÁCIA, Fisioterapia e Terapia Ocupacional, Fonoaudiologia, Medicina, Medicina Veterinária, Nutrição, Odontologia, Psicologia e Técnicos em Radiologia.

Fonte: Conselho Federal de Farmácia (CFF) Covid-19

Conselho Federal de Biologia se posiciona: 

https://cfbio.gov.br/2020/04/04/cfbio-participa-de-reuniao-com-ministerio-da-saude-sobre-portaria-no-639-2020/
Voluntariado

Durante o cadastro, você poderá indicar se deseja fazer parte da ação do Ministério da Saúde, nos exatos termos abaixo:

"Você quer fazer parte da ação O Brasil Conta Comigo – Profissionais da Saúde para enfrentamento à COVID-19? (se convocados, os profissionais poderão ser chamados para assistência direta ou teleatendimento).

Sim ou não"

A obrigatoriedade de cadastro e a capacitação é informada nos ofícios em que solicitam o banco de dados, mas o voluntariado é opcional, como indicamos acima.


Perguntas e respostas


Quem precisa fazer esse cadastro e curso de capacitação?

R: Todo biólogo com registro ativo e regular no Conselho Regional de Biologia de sua jurisdição é obrigado, devido as legislações que vendo sendo aprovadas desde fevereiro, mas isso até ontem, pois o Ministério da Saúde agora diz que não é mais obrigatório.

Mas não atuo na área da saúde. Sou obrigado?

R: Todo biólogo é profissional da saúde, atuando ou não na área da saúde. A classificação de profissional da saúde não está relacionada com sua área de atuação, e sim, com sua formação. A formação do biólogo obrigatoriamente passa pela área da saúde em vários níveis, seja por questões sanitárias, técnicas laboratoriais, produção de vacinas, epidemiologia, patologias, ciência básica ou aplicada. Por isso também, existe o curso de capacitação, pois você sendo profissional da saúde, tem total competência para atuar em algum nível de atenção à saúde. Mas agora não é mais obrigatório.

Vou atuar diretamente com pacientes se me voluntariar?

R: Não está claro onde e em quais situações cada profissão poderá atuar, mas o teleatendimento também será possível. Por senso comum, seríamos melhor aproveitados se fôssemos direcionados para coleta, preparo e análises laboratoriais, além do atendimento para educação em saúde, informação pública e direcionamento de ações. Dificilmente biólogos serão colocados para atuar diretamente com o paciente, visto que os recursos das outras classes teriam que se esgotar para isso.

Onde posso me cadastrar?


Vou ganhar bolsa ou ajuda de custos caso seja convocado para trabalho?

R: Novas informações após reunião com o Ministério da Saúde (03/04) indicam que sim.

A legislação aprovada em fevereiro pelo Congresso e sancionado pelo presidente Jair Bolsonaro, indica o seguinte:

"Art. 3º Para enfrentamento da emergência de saúde pública de importância internacional decorrente do coronavírus, as autoridades poderão adotar, no âmbito de suas competências, dentre outras, as seguintes medidas (...)

VII - requisição de bens e serviços de pessoas naturais e jurídicas, hipótese em que será garantido o pagamento posterior de indenização justa".

Ainda não se sabe quem ou quanto será o valor dessa remuneração.

Vi na internet que o governo vai pagar R$ 667 para quem se voluntariar. É verdade?

R: Não, esse valor é um acréscimo na bolsa dos profissionais residentes (especialização). Biólogos residentes nos diversos programas irão se beneficiar, mas esse valor não tem relação com o trabalho que possa ser desenvolvido com a chamada nacional para a capacitação e indicativo de interesse do biólogo.

Não tenho registro, estou irregular, cancelado, suspenso ou em licença. Preciso fazer?

R: Os documentos oficiais do Ministério da Saúde indicam que precisam dos profissionais habilitados para atuação em território nacional, logo, se você não possui registro no CRBio, está irregular, suspenso ou algum tipo de licença, você não está habilitado legalmente para atuação profissional como Biólogo e não tem obrigação de participar da convocação para o cadastro e curso, e muito menos, o voluntariado.

Tenho registro ativo como biólogo, mas não sou biólogo de fato. Preciso fazer o cadastro?

R: Se você se enquadra na categoria de não biólogos registrados a revelia da regulamentação do CFBio, questione o CRBio sobre sua situação, pois você não é profissional da saúde e nem biólogo de fato. Ex: Ecólogo, Biotecnólogo ou Cientista Ambiental registrado como Biólogo.



Caso novas informações surjam, informaremos aqui mesmo.


Repercussão/Atualização

02/04/2020 18:04 - O Conselho Regional de Medicina do Rio de Janeiro fez denúncia no Ministério Público contra a convocação do Ministério da Saúde:
https://www.cremerj.org.br/informes/exibe/4644

02/04/2020 19:55 - O Ministro da Saúde em coletiva disse que a convocação era opcional, mas ele se referiu a quem se voluntaria para as ações, não ao cadastro e curso, que são obrigatórios.

02/04/2020 23:30 - Biólogos tem questionado a veracidade da obrigatoriedade em virtude do desconhecimento da lei federal aprovada em fevereiro sobre o enfrentamento ao Coronavírus, o teor dos ofícios recebidos pelos conselhos de saúde, má interpretação de fatos, textos, áudios, notícias e estão espalhando notícias ou frases que causam mais confusão ainda aos colegas.

02/04/2020 23:35 - Áudio atribuído a membro de CRBio com 3 minutos e 35 segundos circulando pelo WhatsApp, possuem informações verdadeiras, mas ele não é de nenhum CRBio, apesar de manter contato frequente com  membros do Sistema CFBio/CRBios. A informação de que é um membro de conselho não partiu do autor do áudio e sim de alguém que o propagou erroneamente.

02/04/2020 23:46 - Parcela dos biólogos estão revoltados com a situação, em um misto de ironia, chacotas e revanchismos contra a política, sistema CFBio/CRBios e sua possível incapacidade de atuação na área da saúde. Em contrapartida, a maioria dos biólogos entendem que é por uma causa importante, considerando também uma boa oportunidade de mostrar ao governo a capacidade de biólogos em atuar em uma de suas áreas, a saúde. Para muitos, pode ser a primeira oportunidade de atuação e uso do CRBio.

03/04/2020 00:20 - Biólogos reticentes começam a se dar conta que a coisa é séria após o Conselho Federal de Biologia e muitos regionais publicarem sobre a obrigatoriedade.

03/04/2020 00:28 - Bacharéis e licenciados descobrem que juridicamente não são enquadrados como profissionais legalmente habilitados para atuação como Biólogos, devido a falta de registro no CRBio.

03/04/2020 02:40 - Professores universitários de biologia da área ambiental perceberam que o biólogo é considerado profissional da saúde pela legislação brasileira, mas ficam receosos sobre a capacitação de seus ex-alunos, visto que muitos cursos deixaram de abranger formação razoável na área. Se perguntam se a capacitação será suficiente caso o biólogo se voluntarie.

03/04/2020 09:17 - Biólogos que atuam na área ambiental se revoltam com a obrigação do cadastramento. Alegam que não são profissionais da saúde (mas são, viu?), medo de atuação e geram pânico ao pensarem que irão realizar assistência privativa de profissionais da enfermagem, medicina e fisioterapia.

03/04/2020 09:43 - Alguns conselhos regionais de biologia indicam que desde ontem, houve número expressivo de solicitações de registro profissional, para atuação no combate ao Coronavírus.

03/04/2020 09:58 - Em matéria publicada na BBC, estudos preliminares indicam que esgotos podem ser fonte de contaminação do Coronavírus (https://www.bbc.com/portuguese/brasil-52143119).

03/04/2020 10:00 - Profissionais de todas as categorias relatam problemas nos envios de confirmação de e-mail desde ontem para o devido cadastramento.

04/04/2020 11:40 - Biólogos confundem o acréscimo na bolsa dos residentes de 667 reais com o possível valor pago pelo governo aos voluntários.

04/04/2020 14:17 - Conselhos de Farmácia e Serviço Social começam a soltar informações sobre reunião com o Ministério da Saúde, e novas informações sobre a obrigatoriedade estão chegando, assim como o pagamento caso o profissional seja de fato chamado para trabalhar caso se voluntariar.

04/04/2020 18:13 - Conselho Federal de Biologia se publica esclarecimentos após reunião com o Ministério da Saúde, que voltou atrás e indica não mais ser obrigatório.

quinta-feira, 1 de agosto de 2019

Sociedade Brasileira de Citopatologia - Biólogos não devem se registrar

Foto: Angelo Gustavo Di Stefano, Biomédico.
Reconhecida no Sistema CFBio/CRBios como área de atuação do Biólogo desde 1993 (Citologia), ou de forma mais clara desde 2010, a Citopatologia é área de atuação do Biólogo e importante campo na área da saúde, sendo depois das análises clínicas em seus diversos campos, a área com maior demanda nos laboratórios.

De acordo com o CFBio e o parecer Nº 24/2010 do GT de Áreas de Atuação, o Biólogo pode:

* Atuar na gestão de laboratórios de análises citopatológicas;
* Coordenar e supervisionar equipes multidisciplinares;
* Elaborar termos de referencia e protocolos;
* Emitir e assinar laudos e pareceres técnicos de exames realizados para fins de diagnósticos; 
* Planejar, orientar, assessorar, executar e supervisionar procedimentos de biossegurança, de controle de qualidade e garantia de qualidade;
* Produzir e ou elaborar documentos técnicos, científicos e de divulgação;
* Propor, elaborar, implantar e realizar treinamento e formação de recursos humanos;
* Realizar análises citológicas e diagnósticas, a partir de materiais pré-preparados para pesquisa e avaliação de alterações patológicas em órgãos e tecidos; 
* Realizar procedimentos e análises para exames de citologia esfoliativa, oncótica, hormonal e de fluidos corporais.

Pode parecer estranho para muitos colegas de biologia, mas na minha graduação, o tema foi tratado já no primeiro semestre e pude ver através de uma professora farmacêutica e um colega da área da enfermagem como se dava a coleta para o exame do papanicolaou. 

#Não existe só citologia cervicovaginal, ok? Mas é a de maior número de análises.


Uma pessoa da enfermagem ficou logo chocada em saber que biólogos aprendiam a fazer esse tipo de coleta. Como posso analisar se não posso fazer a coleta? Algum tempo depois, resolvi por conta fazer um curso a parte para coletas junto de colegas e novamente, novas técnicas de coleta para citologia.

Mas o problema na área da citologia no Brasil é uma coisa chata, e duplamente para o Biólogo. A briga de mercado e a perseguição aos Biólogos não tem limites, mas ficamos no meio das brigas entre o Conselho Federal de Farmácia, o Conselho Federal de Biomedicina, o Conselho Federal de Medicina, a Sociedade Brasileira de Citologia Clínica (farmacêuticos e biomédicos) e a Sociedade Brasileira de Citopatologia (médicos).

O tema é complexo,  mas a citologia já foi objeto de entrevista na série É Coisa de Biólogo, que você pode ver CLICANDO AQUI.

Você possui basicamente 6 tipos de profissionais, mas que podem ser divididos em 11 que trabalham diretamente com a área: 


  • Profissionais da Enfermagem: auxiliares de enfermagem, técnicos de enfermagem e os enfermeiros (COREN);
  • Profissional das Ciências Biológicas: Biólogos (CRBio);
  • Profissional das Ciências Biomédicas: Biomédicos (CRBm);
  • Profissional das Ciências Farmacêuticas: Farmacêuticos e Farmacêuticos-bioquímicos (CRF);
  • Profissional das Ciências Médicas: Médicos Patologistas, Médicos Citopatologistas e Médicos Ginecologistas (CRM);
  • Técnicos de Citologia: Citotécnicos.


Basicamente, os profissionais da enfermagem só fazem a coleta, se estamos falando de citologia em si, pois eles possuem outras atribuições que fazem sentido para a consulta de enfermagem. Recentemente, o COFEN - Conselho Federal de Enfermagem tem ressaltado que as coletas do exame de papanicolaou só podem ser realizadas pelos Enfermeiros, e não mais pelos auxiliares e técnicos, o que não é exatamente seguido por diversas secretarias de saúde. Via de regra, a maioria das coletas desse tipo de exame são mesmo realizados por profissionais da enfermagem, até mesmo porque são maioria nos postos de saúde. Provavelmente em seguida, teremos os médicos ginecologistas, que muitas vezes fazem a coleta no meio de uma consulta, mandando diretamente ou solicitando ao paciente que leve a lâmina ao laboratório. Pacientes que vão ao laboratório fazer a coleta diretamente, são poucos, e ainda sim a chance de se ter um profissional da enfermagem para o fazer existe e só daí, pode-se ter a chance do Biólogo, Biomédico, Farmacêutico ou Farmacêutico-bioquímico realizar a coleta.

Se os problemas fossem apenas as coletas, nem estaríamos escrevendo essa publicação! Eu já imagino gente se contorcendo em saber que o Biólogo faz coleta de exames, mas essa reação é estranha, sabendo que o biólogo não irá se valer dos conhecimentos de botânica para isso, e sim de anatomia, fisiologia humana e patologia geral.

Quem hoje faz a análise são todos os outros profissionais descritos um pouco acima, mas quem pode emitir os laudos são os médicos, biólogos, biomédicos e farmacêuticos.


O problema - Parte I


Durante os debates sobre a regulamentação da Lei do Ato Médico, a Lei nº 12.842/2013, cada profissão tinha sua encrenca com os médicos. Para os Biólogos, algumas áreas seriam diretamente afetadas: o aconselhamento genético, a genética laboratorial, biologia molecular diagnóstica, a histopatologia e a citopatologia. 

As definições do que seria diagnóstico nosológico ou mesmo as menções diretas dessas áreas, entendendo aí a histopatologia como anatomia patológica nas áreas privativas foram bem acaloradas. 

Dessas áreas citadas, perdemos a histopatologia. Como assim? O biólogo e o biomédico podiam emitir laudos nessas áreas, mas depois do embate, isso ficou só para os médicos. Ao biólogo e biomédico, sobrou fazer o trabalho do técnico, mesmo que muitas vezes as descrições das vagas pareçam com a de analistas. Se o biólogo ou outro profissional não pode assinar algo, ele devia ser proibido ou desobrigado de realizar análises e anotações da macro e microscopia nessa área. Não faz sentido nenhum eu deixar tudo pronto para outra pessoa simplesmente assinar em baixo. Se eu não posso emitir um parecer ou laudo, eu não deveria poder realizar a análise só para alguém lucrar em cima do meu conhecimento. Daí surgiram os histotecnologistas, histotécnicos e derivados, que são os profissionais que fazem quase tudo ou tudo, mas não podem assinar o laudo.

Mas a questão acima não se repetiu nas outras áreas laboratoriais, incluindo a citopatologia. Para ser mais claro, a Lei do Ato Médico é bem clara ao dizer que a realização de exames citopatológicos e seus respectivos laudos, além da coleta de material biológico para realização de análises clínico-laboratoriais, não são privativos de médicos. Nessa questão, além dos biomédicos, tínhamos os farmacêuticos para brigar. Na verdade, médicos são minoria nessa área e foi graças a força e número muito superior de biólogos, biomédicos e farmacêuticos que a citologia ficou de fora. Muitos laboratórios de saúde pública, laboratórios estaduais, federais ou municipais e privados, possuem essas 3 categorias, as vezes trabalhando há décadas, publicando nas melhores revistas científicas ou palestrando nos mais prestigiados congressos, além de serem responsáveis técnicos desses laboratórios.


O problema - Parte II


É muito assunto e com um longo histórico, mas depois de entender parte de tudo isso, nos deparamos com duas situações:

1 - Os citotécnicos e como os médicos os classificam, assim como o SUS e MEC;
2 - O poder ou não de se realizar a confecção e emissão de laudos.

E esses dois assuntos irão nos levar diretamente para as:

1 - Sociedade Brasileira de Citologia Clínica (farmacêuticos e biomédicos);
2 - Sociedade Brasileira de Citopatologia (médicos).

Você verá geralmente dois tipos de anúncio para as vagas relacionadas na área:


  • Citologista;
  • Citotécnico.


Quantos detalhes! Conseguir enxergar o mercado se movendo e as manipulações corporativistas pode ser complicado, não é?

Depois da lei do Ato Médico, algumas especialidades médicas se sentiram desamparadas em suas tentativas de reserva de mercado. Contavam com o aumento do número de exames redirecionados, que não ocorreu, pela não privatividade. Isso aconteceu nas análises clínicas (patologia clínica), citopatologia (parcela da especialidade da patologia - anatomia patológica) e até oftalmologia, se não teríamos extinguido os optometristas, que aliás, estão crescendo para o bem de pessoas como eu, que usam óculos.

Então o CFM tratou de mexer os pauzinhos e fazer o que chamamos de "contorcionismo jurídico" e editou e publicou uma resolução sobre a citopatologia em 2014: o médico pode aceitar um laudo negativo de um farmacêutico, biólogo ou biomédico, mas não pode aceitar um positivo. Oi? Vocês acham que um laudo de citologia sai como um de bioquímica? Com um valor de referência de positivo ou negativo? Não, ele sai com descrições da análise da lâmina e uma conclusão, e chamamos isso de LAUDO.

A zona estava armada, porque além disso, tem umas outras armadilhas jurídicas que caracterizam concorrência desleal por laboratórios dirigidos por médicos. Alguns conselhos tentaram anular a resolução, sem sucesso até o momento. Um pouco indiferente diga-se de passagem, mas quando clientes começarem a aparecer nos laboratórios querendo o dinheiro de volta alegando que o médico não aceita o seu laudo, o problema realmente irá começar.

Como saber se algo está normal ou não? Para assinar um laudo normal, obviamente o profissional sabe fazer o alterado. Aliás, as profissões são treinadas para detectar anormalidades e não para dizer que está tudo bem, apenas. A lei do Ato Médico não indicou que apenas laudos negativos eram os atos não privativos. É como se um advogado só pudesse defender inocentes, mas não o ladrão. A lei existe para o positivo e negativo. Só ligar "Lé com Cré" que se entende que isso é uma tentativa de dar sentido para alguns médicos que não curtem dividir especialidade. Tantas áreas privativas, mas escolheram uma que não é.

Entendendo isso aí em cima, caímos na situação que é comparar os profissionais de nível técnico com os de nível superior na área da saúde. Não, não estamos dizendo que os técnicos não aprendem a analisar nada, mas sim que não é seu objetivo, ou não deveria ser. O biólogo, geralmente especializado em citologia, está capacitado para atuar de ponta a ponta, desde a coleta até a liberação do laudo. O técnico em tese não deveria poder analisar, mas eles o fazem e são estimulados a isso, e no final, alguém assina. O técnico deveria ajudar no processo, e não fazer a análise, pois caímos na mesma questão sobre a histopatologia. Se eu não posso assinar sobre o que eu analiso, em tese não estou preparado cientificamente para isso, no caso, a análise. Fica fácil para eu colocar alguém pra fazer tudo e alguém dizer que estou certo e colocar uma assinatura.

A Medicina e a Sociedade Brasileira de Citopatologia tem muito interesse no fortalecimento do Citotécnico, mas não porque eles querem técnicos para os auxiliar, mas sim porque eles tratam o técnico em citopatologia no mesmo nível que o Biólogo, Farmacêutico e Biomédico especialista em Citologia, as vezes com mestrado e doutorado em Ginecologia, Oncologia, Patologia ou Biologia Celular.

Existe uma coisinha chamada Concurso de Suficiência em Citotecnologia na SBCp. Já viram o edital?

Vou explicar: o requisito é que você seja técnico ou tenha atuado na área sob supervisão de médico com título da SBCp durante 1500 horas.

Na prática, você é contratado porque é um BAITA profissional, mas seu chefe é médico e está louco para te dizer que você está no mesmo nível do cara que não devia estar fazendo a análise, porque ele não é analista. Depois de um tempo, ele quer que você faça esse concurso, mas finge que não existe a prova de Título em Citologia Clínica da Sociedade Brasileira de Citologia Clínica (SBCC). Ah, essa não serve, porque o profissional é de nível superior e tem os laudos!

Então eles vão te deixando lá, fazendo tudo e você está super feliz, fazendo esse tudo, mas sendo tratado como incapaz de afirmar o que aprendeu e assinar esse papel.

Após alguns anos, agora nos deparamos com vagas de "citologistas fazem tudo" solicitando que o profissional tenha o certificado da SBCp.

Como a Sociedade Brasileira de Citologia Clínica deixou isso acontecer? Estão transformando os Citologistas em Citotécnicos, mas não por um bom motivo, e sim para enfraquecer as classes de biólogos, biomédicos e farmacêuticos e os manter sempre no: faz tudo, mas eu assino no final. Diga-se de passagem, ninguém aqui é contra o técnico, e basta trabalhar com alguns mais velhos e experientes para saber que temos muito o que aprender sempre com eles, principalmente porque eles são super especializados, e não tiveram conteúdos não relacionados a área. Mas, como eles mesmos dizem, lutamos para poder assinar os laudos, e estudamos para isso.

Os médicos, o SUS e o MEC ainda consideram os citotécnicos como profissionais de nível médio, mas estranhamente o número de colegas pós-graduados que tem feito provas que foram feitas para eles, tem aumentado. Aliás, é muito mais comum você trabalhar em locais onde todos os "citotécnicos" são especialistas em Citologia (pós-graduados), o que é bem estranho, ou será que existe uma preferência por pessoal que sabe emitir laudos?

Só que pensamos que podemos migrar para a SBCC, certo? Não, pois os dirigentes não curtem o corporativismo médico, mas não ligam de praticar se tiverem que se relacionar com biólogos.

Cenário atual

A Sociedade Brasileira de Citopatologia (médicos) nos colocam na mesma caixinha dos técnicos, juntamente com os biomédicos e farmacêuticos.

A Sociedade Brasileira de Citologia Clínica (farmacêuticos e biomédicos) nem nos consideram dignos de podermos utilizar o título de Biólogo Citologista, pois alegam que não temos habilitação legal, ignorando todo o arcabouço jurídico, decisões judiciais e formação acadêmica, mesmo que você seja chefe de algum deles em algum lugar.

Acham que o problema é só nosso? Todos querem sua parte.

Esse ano temos eleição no CFBio e esperamos que a próxima gestão inicie uns contatos com a SBCC, ou comece a promover Sociedades que tenham biólogos na diretoria também.

Biólogos, parem de promover entidades que te tratam como inferior, como não capaz ou mesmo como um analisador automático de exames. Não se filie, não faça provas que não mostrem todas as suas atribuições legais. Existem outras associações e sociedades, mas se ela alega que você não pode assinar o exame, como dizem uns amigos: É uma cilada, Bino!


Vejam também para entender mais sobre a questão:

http://www.epsjv.fiocruz.br/educacao-profissional-em-saude/profissoes/tecnico-em-citopatologia

http://www.rets.epsjv.fiocruz.br/membros/associacao-nacional-de-citotecnologia-anacito





sexta-feira, 19 de julho de 2019

Biólogos dominam Top 10 de Startups de Biotecnologia

Sabe aquele conto da carochinha de que Biólogo não inova? Ou aquela história de que Biólogo não estuda para aplicar conhecimento? Ou que o Biólogo só serve para ensinar? Ou que o Biólogo só serve para estudar "bichinhos e plantinhas"?

Existe o que as pessoas gostariam que fosse e existe a realidade. E a realidade é nua e crua, queiram umas pessoas aí ou não: os Biólogos estão com tudo em cima.


A 100 Open Startups acabou de publicar o TOP 10 das Startups de Biotecnologia, que você confere na foto abaixo:








#1 - A Regenera é a empresa do Biólogo Mário Frota Júnior;


#2 - A ONKOS é do Biólogo Marcos Santos;


#3 - A PluriCell Biotech são dos Biólogos Marcos Valadares e Diogo Biagi, além do Médico Cardiologista Alexandre Pereira;


#4 - A HA Tecno tem como fundador o Engenheiro Elétrico Henrique Costa;


#5 - A Gntech Exames SA é dirigida pelo Engenheiro Mecânico Rafael Bottós, mas a empresa funciona sob a responsabilidade técnica da Bióloga Regiane Ferreira;


#6 - Rubian Extratos - Tem como fundadores o Eduardo Alelo, que é Engenheiro Químico, Márcio Lopes, que é Engenheiro de Manufatura e o Alex Matioli, Administrador;


#7 - Pickcells - Com 3 fundadores, o André Firmo e Rodrigo de Oliveira são da área de Ciências da Computação, além da formação em Administração do Paulo Melo;


#8 - A Scheme Lab foi fundada pela Bióloga Alessandra Katz e pelo Bioquímico John Katz;


#9 - A Sugarzyme é da Farmacêutica Rosa Biaggio;


#10 - A Mancha Orgânica tem como seus fundadores o Pedro Ivo, Amon Pinto e Rafael D´Ávila formados em Design, e Martina Pinto em Engenharia Química.

Qual a formação que aparece mais vezes nessa lista? 

40% das empresas são fundadas e dirigidas por Biólogos. Mais uma possui a Responsabilidade Técnica de uma Bióloga, ou seja, 50% das empresas tem biólogos em cargos de direção. Em segundo lugar, temos pessoas formadas em Design, mas apenas em 1 empresa.


Então eu acho que precisamos quebrar o preconceito, não é mesmo? 


Principalmente, parar de dizer inverdades por aí na internet sobre o Biólogo.



Achou pouco?


O Instituto Butantan está preparando um Mestrado Profissional em Biotecnologia e Produção, sob a Coordenação da Bióloga Maria Carolina Quartim Barbosa Elias Sabbaga (CRBio 039877/01-D).

Se já não bastasse ser Bióloga, ela é Diretora do Laboratório Especial de Ciclo Celular, do Instituto Butantan, Coordenadora da área de Transferência de Tecnologia do Projeto CEPID - FAPESP e tesoureira da Sociedade Brasileira de Protozoologia.

O Mestrado se encontra na fase de projeto, mas já foi aprovado no final do ano passado pelo Conselho Técnico-Científico da Educação Superior, vinculado a CAPES.

O TECPAR - Instituto Tecnológico do Paraná, será chefiado pelo Biólogo Jorge Callado, presidente do CRBio 07, informação recém divulgada na mídia.



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