domingo, 17 de junho de 2018

Urgente: Biólogos podem perder espaço na Biotecnologia

Introdução

Para quem acompanha os desdobramentos da profissão, sabe que infelizmente, somos traídos pela própria classe. A desinformação reina nas universidades, a superespecialização de colegas os cegam e muitas vezes, a falta total do mínimo de corporativismo necessário é mutilado pelo egocentrismo de acadêmicos, que na ânsia de dominarem departamentos ou se sentirem donos de uma causa, atacam a própria profissão. Sim, existe um professor biólogo no Brasil que articulou nas nossas costas perdermos o direito de sermos responsáveis técnicos de empresas de biotecnologia.

Existe até mesmo donos de Startups biólogos, que fazem vídeo dizendo que gosta mesmo de contratar não-biólogos para sua própria empresa, empregando gente que nos denigre em redes sociais, até mesmo lideranças contra nós, e mesmo assim, está infiltrado em um Conselho Regional de Biologia. Resta saber se o CRBio em questão sabe, que ao convidar esse Biólogo, podem ter colocado um disseminador de  gente e apoia quem tenta nos tirar áreas de atuação, só porque ele não teve uma formação que achou ideal.

Será que pensam que no futuro serão eles expulsos de seus próprios departamentos?

Este blog acompanha desde o início a formação de cursos na área de biotecnologia, sejam técnicos, tecnólogos ou bacharelados, de engenharia ou não. A verdade é que certas ciências e formações, sim e entendemos, são criadas mundo afora por uma questão de necessidade mercadológica, mas também sabemos que em alguns casos, são só uma necessidade de dar funcionalidade e emprego para professores.

Uma das graduações de biotecnologia mais emblemáticas do que me refiro acima, é a criação do curso no Campus Leste da Universidade de São Paulo. Não se esconde nem da imprensa que o curso foi criado porque as vagas do curso de Ciências da Natureza (licenciatura) ficavam ociosas, pois o curso, mesmo na USP, tem pouca procura. Dois erros. Ciências da Natureza por si só é um jeito de tirar as aulas dos Licenciados em Biologia ou em Ciências com habilitação em Biologia, sendo esses biólogos. Para quem é da área de educação, sabe muito bem que não faltam professores em determinadas disciplinas, e a biologia é uma delas. Faltam professores de física, com certeza, mas não de ciências ou biologia, bastando ver a quantidade de candidatos/vaga em qualquer concurso ou numa tarde de atribuição de aulas. Mesmo nas escolas periféricas, o que impede de alguém assumir aulas, são as condições de trabalho ou logística, e não a falta de profissionais formados nas licenciaturas tradicionais.

A USP resolveu extinguir o curso de Ciências da Natureza no período da tarde e dar um UP, lançando o curso de biotecnologia, e um dos argumentos, é que dá pra usar a mesma estrutura. Sendo uma formação do momento, o tempo de ociosidade acabou e os professores, que antes formavam outros professores, agora serão formadores de profissionais ditos da indústria e tecnologia da noite para o dia, já que na visão de alguns, biólogos, licenciados ou bacharéis, só abraçam árvores. Estranho esse argumento, já que muitos dos colegas biotecs, dizem que a formação é muito diferente, mesmo a grande maioria dos cursos de biotecnologia saírem dos departamentos de Biologia.

Não importa a tentativa de se descolar da biologia para falar de biotecnologia. Química, física, matemática e mesmo informática, são também disciplinas e áreas de atuação do Biólogo.

Eu mesmo, Biólogo, bacharel, atuo em campos que os biotecs ficariam surpresos. Para começo de conversa, atuo com controle de qualidade de produtos na área QUÍMICA, pois além de Biólogo, sou especialista pelo Instituto Adolfo Lutz em Análise Química, Física e Sensorial de Alimentos e Bebidas, e não foi uma especialização de 360 horas não, foi de 1920 horas. Não precisa pensar muito para ver que, eu uso meus conhecimentos de microbiologia e bioquímica, além de técnicas analíticas instrumentais, como o HPLC, para determinar se uma fermentação deu certo ou não, ou mesmo instruir o cliente, que o bioprocesso não está sendo feito na escala ou de maneira correta, ou mesmo que o tipo de microrganismo não tem a mesma eficácia que o outro do lote anterior. Para eu responder ao meu cliente, eu tenho que entender de biotecnologia e bioprocessos. Amo trabalhar com química de produtos naturais, e tenho gostado cada vez mais de química orgânica, pois é pura vida e biotecnologia ao utilizar isso em desenvolvimento.

Posso falar então da Responsabilidade Técnica de um Saneante de uma multinacional Argentina que assumi ano passado. O fator preponderante, foi, além dos assuntos regulatórios serem parte dos meus conhecimentos e formação, foi entender como o produto age na espécie alvo que o saneante pretende atacar. Foi poder avaliar resultados de toxicologia, de físico-químicas e de eficácia e segurança. Eu não preciso dizer que conheço todo o sistema da ANVISA e MAPA, né?

Unir a biologia, a bioquímica, a biologia molecular, a tecnologia, a matemática e a informática, faz parte da formação do Biólogo que resolve ir para o mercado de trabalho. Só não empreende quem não quer, ou porque resolveu ser pesquisador de apenas uma linha de pesquisa. 

O Biólogo é pleno e capaz de trabalhar em todas as áreas da biotecnologia.

E sim, eu tenho 2 empregos, 3 formações técnicas, sou jornalista no blog, graduado e pós-graduado, diretor em uma associação estadual em SP e suplente de diretoria em uma Federação com sede no RS, além de ter trabalhado quase 3 anos na presidência de um CRQ como concursado.

O perigo

Desde 2015, um projeto de lei corre na Câmara dos Deputados para regulamentar a profissão de Biotecnologistas e a criação de Conselhos para eles, mesmo já podendo se registrar nos CRQs.

Sobre os conselhos, o argumento é que os CRBios negavam seus registros, e que os CRQs não conseguiam dar todas as áreas de atuação que eles almejam, como engenharia genética.

O que os biotecs politizados não falam aos colegas, é que o Sistema CFBio/CRBios não registram os biotecnologistas, ecólogos, oceanógrafos, tecnólogos em gestão ambiental e técnicos em meio ambiente pelo FATO da lei que criou os conselhos de biologia não permitir. A lei dos conselhos de biologia é bem clara ao dizer, em 1979 (antes de qualquer curso de biotecnologia), que só os licenciados e bacharéis em biologia, história natural ou ciências, com habilitação em biologia, podem se registrar nos conselhos de Biologia. Os dirigentes do CFBio e CRBios, de maneira geral, são legalistas, e por isso, e tão somente por isso, não registram outras classes.

O Projeto de Lei 3747 de 2015 já nasceu fadado ao fracasso no que tange ao Conselhos dos Biotecnologistas. Os conselhos de fiscalização profissional, só podem ser de iniciativa do executivo, ou seja, do governo. Deputados sabem disso há décadas, pois sempre são vetados. Mas parece que o deputado ou não sabia ou jogou pra plateia. Temos o recente caso do veto do conselho dos Zootecnistas. Outro tiro no pé foi a tentativa inicial de colocar como privativo a Responsabilidade Técnica de empresas de Biotecnologia.

No Brasil existem vacinas, OGMs e tantos outros produtos de origem biotecnológica há tantas décadas e bem antes do primeiro curso de biotecnologia, que uma hora iriam se questionar como o Brasil é a potência que era e é sem a graduação dos Biotecnologistas. O Deputado Luciano Ducci percebeu e retirou a parte privativa e acrescentou emendas.

Nenhum direito a menos! Nenhuma atribuição a menos


No projeto original ou mesmo na proposta do Deputado Luciano Ducci, não há uma linha sequer de área de atuação em que os Biólogos não atuem de forma direta. Todas tem relação direta com a biologia ou são ligadas a ela, como infere nossa lei de regulamentação. Seja na saúde, na agricultura, na pecuária, no meio ambiente ou no ambiente estritamente industrial, o Biólogo também está presente.

Os Biotecnologistas são diferentes sim, sua formação tem objetivo diferente porque é mais fechada, mas nenhuma atribuição mencionada até o momento, difere das que os biólogos já atuam. Aliás, não há área dentro da Biotecnologia e Bioprocessos que biólogos não possam atuar. Isso porque a biotecnologia é uma especialidade dentro das Ciências Biológicas, e o Biólogo, é o Clínico Geral das Ciências Biológicas, que se especializa, e entenda essa especialização como estágios, ênfases ou mesmo experiências profissionais, e não somente como pós-graduações. O Biólogo é pleno dentro das Ciências Biológicas e só não pode atuar nas áreas que outras profissões já tem como privativas, e não por falta de competência, já que a nível de pesquisa, Biólogos atuam em praticamente qualquer área das Ciências da Vida.

No dia 13 de junho de 2018, na Câmara dos Deputados, uma audiência pública sobre esse projeto de lei ocorreu.

Um representante do CFBio, um biólogo mestre e doutorando em engenharia de bioprocessos e biotecnologia, que desenvolve kits de diagnóstico, apresentou as áreas de atuação do Biólo de forma resumida aos presentes.

Uma representante da LINABiotec, uma liga de acadêmicos dos cursos de biotecnologia, apresentou a definição do que seria a formação dos Biotecnologistas e algumas áreas de atuação.

Um representante do Ministério da Saúde, que apresentou como eles entendem a necessidade de regulamentação de novas profissões, na área da saúde.

Resumindo a história, o Deputado Mandetta (DEM-MS) mostrou aos presentes os perigos éticos e mercadológicos de se criarem cursos sem uma prévia discussão. Questionou se há alguma área/atribuição dos Biotecnologistas que os Biólogos já não atuam e propôs ideias. Se eu estivesse lá, mostraria o que aconteceu com os formados em Obstetrícia na USP e como eles tiveram que voltar ao banco das escolas na própria USP para poderem atuar.

O Deputado solicitou que os Biotecnologistas se entendam com o Conselho Federal de Biologia, que as atribuições dos Biotecnologistas fique de forma clara que também são atribuições dos Biólogos ou que consigam determinar algo que só eles aprendam e estudem no Brasil, e que os Biotecs se registrem nos CRBios, já que o conselho deles não vai passar e sua formação é área da biologia.

Ao invés do entendimento, os Biotecs estão contrariados e querem provar, agora na comparação de grades curriculares, e mesmo na avaliação de mestrados, doutorados e especializações, que são melhores que Biólogos, mesmo que estes sejam seus próprios professores.

NÃO ACEITAREMOS NADA QUE NÃO ESTEJA DE FORMA CLARA, OU SEJA, DE QUE TODAS AS ATRIBUIÇÕES DESCRITAS SÃO TAMBÉM ATRIBUIÇÕES DOS BIÓLOGOS! NENHUM DIREITO A MENOS, NENHUMA RESERVA DE MERCADO!

Veja você mesmo a Audiência Pública:




Seja ativo e lute pela sua formação:

Para acompanhar o Projeto de Lei: 

Para dizer ao deputado que a biotecnologia é área do Biólogo: 

Use sempre o #BIOTECédaBIO

Peço aos colegas que entrem nas redes sociais do deputado Henrique Mandetta, pelo link a seguir e publiquem o texto abaixo, ou um texto próprio, defendendo a profissão. https://m.facebook.com/henriquemandetta/…

Deputado Mandetta, como o senhor está? Assistimos a audiência pública sobre o PL 3747/2015 e gostaríamos de enfatizar que, como indicado pelo próprio deputado, não há área dentro da Biotecnologia que o profissional Biólogo não atue, sendo falaciosas quaisquer tentativas as insinuações de que não aplicamos conhecimento, e em qualquer nível de atuação dentro da área. Meio Ambiente, Saúde, Agropecuária e Indústrias são áreas e locais que os Biólogos estão inseridos desde sempre, como na área de produção de soros e vacinas, organismos geneticamente modificados, melhoramento de vegetais, animais, desenvolvimento de kits rápidos para o SUS no diagnóstico de doenças e tantas outras aplicações. Biólogos estudam desde o início para a atuação na Biotecnologia, a interface entre a biologia, bioquímica, física, matemática e tecnologia são objetos da formação do biólogo. Não somos contra o direito de outras profissões existirem, mas não aceitamos a diminuição de nossas atribuições de áreas em que nós mesmos ensinamos a outras classes. Somos plenos desde sempre no campo das Ciências Biológicas, e as casas de todo o Brasil possuem a prova de que somos presentes. #BIOTECédaBio

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