quinta-feira, 10 de janeiro de 2019

CFBio já discute a Biologia Estética - Petição já passa das 900 assinaturas



A Petição Pública "Pela regulamentação da Biologia Estética" já passou das 900 assinaturas!

CLIQUE AQUI E ASSINE A PETIÇÃO

No ano passado, a Comissão de Saúde do CFBio - Conselho Federal de Biologia passou a estudar a área de Biologia Estética também pelo material que nosso grupo de Biólogos especialistas em Estética montou, contando com as mais de 800 assinaturas da época, análise histórica da legislação da estética e as diversas profissões que trabalham com ela, as disciplinas e material de duas especializações em Biologia Estética (exclusivas para biólogos) e argumentos correlatos sobre essa área de atuação.

Já contamos com apoio de representantes dos CRBios e CFBio para essa empreitada, e de acordo com nossas fontes, provavelmente só falta o "quando", e não mais o "se" vai, porque esse assunto já está nas rodas de conversas.

Os biólogos que continuam a mandar questionamentos sobre o assunto no CRBio ou CFBio, nos ajudam indiretamente, pois deixam o assunto vivo.

Sabemos também que colegas e alguns políticos podem estar preparando algo por aí... o que será?



Não se deixe enganar pelo CFM
Conselho Federal de Medicina


Justiça extingue processo que proibia dentistas de aplicarem toxina botulínica para finalidade estética

"Acolhendo argumentos feitos pelo Conselho Federal de Odontologia (CFO), o juiz Ivan Lira de Carvalho, titular da 5ª Vara da Justiça Federal de Natal (RN), extinguiu o processo que limitava cirurgiões-dentistas de aplicarem toxina botulínica, popularmente conhecida como “botox”. A decisão do magistrado foi proferida nessa quinta-feira, dia 27.

Na prática, sem exame de mérito, o magistrado extinguiu o processo judicial pelo qual, por meio de medida liminar (decisão provisória), suspendeu os efeitos da Resolução nº 176/2016. No entendimento do juiz federal, o processo não pode tramitar na 5ª Vara Federal da Seção Judiciária de Natal, como também defendeu em parecer emitido recentemente o Ministério Público Federal (MPF).

Ao se manifestar sobre a decisão, o presidente do CFO, Juliano do Vale, reforçou que os cirurgiões-dentistas têm autorização legal e competência profissional para a utilização da toxina botulínica e de preenchedores faciais para fins odontológicos, amparados pela Lei nº 5.081/66 e com base em resoluções do CFO. “Os cirurgiões-dentistas têm competência legal para utilizar a toxina botulínica e os preenchedores faciais em tratamentos odontológicos”, ratificou o presidente do conselho".

domingo, 6 de janeiro de 2019

3 vagas para Biólogos na Residência do Hospital de Câncer de Jaú

Você terminou a graduação e tem muita afinidade pela área da Saúde, mas não deseja fazer um mestrado? Partir para uma especialização é mais a sua cara? 

E se eu disser para você que dá para fazer RESIDÊNCIA em um dos mais importantes hospitais do país na área do câncer?

Ficar entusiasmado com a possibilidade dos Biólogos poderem fazer residência em ambiente hospitalar é sempre divertido, e no bom sentido.

A primeira coisa que se tem que entender, é que fazer uma Residência é diferente de se fazer uma especialização comum. A Residência para Biólogos está disponível em diversos estados, mas com uma expressão maior no Estado de São Paulo,  já que algumas já estão funcionado há alguns anos.

A título de comparação, o Bacharelado em Ciências Biológicas da USP - Universidade de São Paulo do Instituto de Biociências na cidade de São Paulo, o mais antigo do Brasil, oferece um curso de 3540 horas (Clique aqui e comprove). Se você fizer um mestrado em Biologia Genética no mesmo local terá mais umas 3300 horas de curso, na melhor das hipóteses uma bolsa FAPESP de R$ 2.168,70, mas obviamente, um curso voltado para academia e formação de professores.

A Residência Multiprofissional é o que chamamos de PADRÃO OURO para a formação na área da saúde e que tem aumentado na formação dos profissionais que não são médicos. Instituída pela LEI Nº 11.129, DE 30 DE JUNHO DE 2005, o curso se dá em 2 anos na formação especializada do tipo treinamento em serviço e com uma carga horária de mais de 5 MIL HORAS, ou seja, é prática e com uma carga muito maior, e em um ambiente real de serviço, com uma bolsa de R$ 3.330,43.

Ah, diferente de mestrado, a Residência é considerado treinamento em serviço e o CRBio ativo é obrigatório!

Viu a diferença entre a Residência e Mestrado?

Quando terminar a residência, você pode se intitular especialista pelo Programa de Residência Multiprofissional em Atenção ao Câncer, no caso do Hospital Amaral Carvalho.

Achou que só médico fica lá ajudando a desvendar as coisas no hospital?

Hospital Amaral Carvalho

No Hospital Amaral Carvalho, conhecido também como o Hospital de Câncer de Jaú, a Residência para os Biólogos é exatamente na área de Atenção ao Câncer.

De acordo com a tutora e Bióloga Clara Marino Espricigo Botari - CRBio 064894/01-D - Bióloga pela Universidade do Sagrado Coração e Mestre Profissional em Biotecnologia Médica pela UNESP, a residência do Hospital Amaral Carvalho passa por todos os laboratórios e setores aonde o Biólogo atua no hospital, sendo eles:


  • Laboratório de Análises Clínicas;
  • Laboratório de Anatomia Patológica;
  • Hemonúcleo;
  • Meio Ambiente;
  • Laboratório de Biologia Molecular;
  • Laboratório de Citometria de Fluxo;
  • Laboratório de Citoquímica;
  • Laboratório de HLA.



Para essa residência, as inscrições vão até 30 de janeiro de 2019.

Poderão inscrever-se no processo seletivo candidatos em fase de conclusão de curso de graduação reconhecido pelo MEC, desde que possam concluí-lo até o primeiro dia do período letivo de ingresso no curso pretendido ou que tiverem no máximo até 4 anos de graduação conforme pré-requisito.



A título de curiosidade, o Hospital Amaral Carvalho é o hospital que mais realiza transplantes de medula óssea do Brasil.






Outras Residências no Estado de São Paulo



O Hospital do Amor, mais conhecido como Hospital de Câncer de Barretos, tem todo ano 2 vagas para Biólogos na Residência também em Atenção ao Câncer, mas totalmente voltada para diagnóstico molecular do câncer. Saiba mais sobre clicando aqui.



A FAMERP - Faculdade de Medicina de São José do Rio Preto possui Residência na área de Vigilância em Saúde para Biólogos, também 2 duas vagas. Clique aqui e acompanhe editais.

Na Prefeitura Municipal de São Paulo, há 2 vagas para Biólogos no Programa de Residência Multiprofissional em Práticas Integrativas e Complementares em Saúde (PICS) desde 2016. O Biólogo pode atuar na Atenção Básica utilizando as Práticas Integrativas e Complementares em Saúde (PICS) devidamente regulamentadas e inseridas na Política Nacional de Práticas Integrativas e Complementares do Ministério da Saúde (PNPIC/MS) e desenvolvidas por meio de ações integradas de caráter interdisciplinar, entre as quais se incluem a Medicina Tradicional Chinesa, a Homeopatia e a Medicina Antroposófica, os Recursos Terapêuticos como a Fitoterapia, as Práticas Corporais e o Termalismo-Crenoterapia, além de demais práticas reconhecidas ou que venham a ser reconhecidas pela PNPIC/MS. Clique aqui e fique por dentro.

No HRAC - Hospital de Reabilitação de Anomalias Craniofaciais da USP, já tivemos uma residência voltada para análises clínicas e genéticas. Em nossas pesquisas, parece que está para voltar! Clique aqui e fica esperto com os editais.

Uma dica para as futuras e atuais gestões do Sistema CFBio/CRBios, é que fomentem a residência para Biólogos, pois essa será no futuro a preferência absoluta na área da saúde.


Fernando Cesar é Jornalista do Blog Biologia Profissional, Biólogo, Especialista, Analista de Laboratório na área de alimentos, Responsável Técnico na área de Saneantes, Diretor em uma associação estadual e Diretor em uma Federação.

sábado, 22 de dezembro de 2018

Bioquímicos e Biotecnologistas ganham atribuições nos CRQs



Para quem acompanha nosso blog, sabe que estamos de olhos bem abertos em tentativas de tirarem nossas atribuições.

Particularmente com os Biotecnologistas, encabeçados pelo grupo da LinaBiotec, que tentaram e sem sucesso, tornar áreas tradicionais dos biólogos e outros profissionais privativos deles.


O Conselho Federal de Biologia - CFBio vem estudando formas de registrarem outras classes em seus quadros. Isso pode ser conferido em documentos de acesso público nos últimos tempos e já noticiamos isso aqui também.


Para o CFBio, profissionais formados em biotecnologia, ecologia e oceanografia, teriam condições de se registrar nos CRBios pelas afinidades de áreas. Mas como já disse para uns colegas, no nosso sistema, quase sempre tudo é no tempo de um doutorado para se tomar decisões, seja ela política, seja ela administrativa, apesar de se notar uma mudança nos últimos tempos e muita vontade de melhora de alguns.


Enquanto em alguns conselhos há debates públicos e consultas a "TODOS" os profissionais registrados que desejam contribuir para elaborações de normativas, como no Conselho Federal de Farmácia - CFF, clique aqui e confira como o CFF faz há anos, o nosso sistema costuma fazer as coisas com grupos de "notáveis". É só olhar PORTARIA CRBio-01 n° 29, de 05 de junho de 2018, que RASGOURESOLUÇÃO CFBIO Nº 17, DE 22 DE OUTUBRO DE 1993



Um claro ataque a hierarquia do Sistema CFBio/CRBios, o CRBio 01 inovou, passou a dar interpretações diversas, tendenciosas e dificultou a solicitação de Biólogos ao título de especialista. Se você é Biólogo no CRBio 1, dê um jeito de tirar seu título de especialista nos outros CRBios, porque para tirar no CRBio 1, você terá que estar quase se aposentando e não valerá a pena, a não ser para o ego. Em qualquer conselho de outra categoria, o federal já teria derrubado essa portaria por divergir da resolução CFBio em vigor. Sabemos que essa resolução do federal pode ser alterada, há um grupo de trabalho para isso, mas a pergunta que fica é: o CRBio 1 vai dobrar o federal de baixo para cima porque os doutores de São Paulo não aceitam normas já consolidadas, conseguindo se distanciar ainda mais das outras classes que aceitam especializações? 

Toda essa normatização bioburocratização, gera isso aqui:

RESOLUÇÃO NORMATIVA 277, DE 23 DE NOVEMBRO DE 2018

                                                                               Define as atribuições dos profissionais que laboram na área da Bioquímica, Biotecnologia e Bioprocesso.


           ...

Considerando a Resolução Normativa nº 198, de 17 de dezembro de 2004, do Conselho Federal de Química que define as modalidades profissionais na área da Química; Resolve: 

Art. 1º São profissionais da Química, nos termos da Resolução nº 198/2004 do Conselho Federal de Química, os Bacharéis em Bioprocessos e Biotecnologia; Bacharéis em Biotecnologia; Bacharéis em Bioquímica; Bacharéis em Bioquímica Industrial; Bacharéis em Biossistemas; Bacharéis em Biotecnologia Industrial; Bacharéis em Química com Ênfase em Biotecnologia; Bacharéis em Biotecnologia e Agroindústria; Tecnólogos em Bioprocessos e Biotecnologia; Tecnólogo em Biotecnologia; Engenheiros em Bioprocessos e Biotecnologia; Engenheiros em Biotecnologia; Engenheiros em Bioprocessos; Engenheiros em Biossistemas e outras que venham a ser incluídas, que atuem nas atividades biotecnológicas relacionadas ao beneficiamento, armazenamento, transporte, industrialização, controle de qualidade e conservação de produtos biotecnológicos relacionados ao setor energético, com ênfase em bioenergia; ao setor de meio ambiente, com ênfase nas atividades de preservação e melhoramento; ao setor da saúde humana e animal, com ênfase em biossegurança de produtos biotecnológicos de origem recombinante e não recombinante; ao setor da indústria (química, alimentícia, produção de proteína animal e vegetal, farmacêutica, agroquímica, têxtil, biomateriais e bioquímica). 

Art. 2º São atribuições dos Profissionais citados no artigo 1º desta Resolução, a serem conferidas, de acordo com a avaliação da Estrutura Curricular e Conteúdos Programáticos das Disciplinas cumpridas nos Cursos de Graduação, aos Profissionais de cada Categoria: 


1 – Vistoriar, emitir relatórios, pareceres periciais, laudos técnicos, indicando as medidas a serem adotadas e realizar serviços técnicos relacionados com as atividades tecnológicas envolvidas no beneficiamento, armazenamento, transporte, industrialização, conservação, acondicionamento e embalagem de produtos biotecnológicos.

2 – Coordenar, orientar, supervisionar, dirigir e assumir a responsabilidade técnica de empresas públicas e privadas, assessoramento das atividades envolvidas nos processos de industrialização de produtos biotecnológicos.

3 – Efetuar a inspeção das atividades produtivas, zelando pelo cumprimento das normas sanitárias e ambientais, dos padrões de qualidade dos produtos biotecnológicos.
4 – Exercer o magistério na Educação de Nível Superior e de Nível Médio Profissionalizante, respeitada a legislação específica.

5 – Formular, elaborar e executar estudo e pesquisa científica básica e aplicada, a fim de proporcionar a capacidade de resolução de lacunas entre a pesquisa e o desenvolvimento pré-industrial e industrial, nos vários setores da biotecnologia ou a ela ligados.

6 – Executar análises químicas, físico-químicas, químico-biológicas, bromatológicas, microbiológicas, toxicológicas dos insumos, produtos intermediários e finais da indústria de biotecnologia e bioprocessos e no controle de qualidade dos processos bioquímicos e biotecnológicos envolvidos, utilizando as técnicas e métodos instrumentais, gravimétricos e volumétricos.

7 – Efetuar controles de biossegurança, nas etapas de armazenamento, transporte, produção, distribuição e comercialização sempre relacionados ao desenvolvimento de soluções tecnológicas a serem utilizadas nos procedimentos industriais de obtenção de produtos biotecnológicos.

8 – Planejar, conduzir, gerenciar e efetuar o controle de qualidade dos processos bioquímicos, bioprocessos e biotecnológicos utilizados nas etapas da industrialização de produtos biotecnológicos, desde a matéria prima, incluindo derivados, até o produto final. 

9 – Planejar, conduzir e gerenciar os processos bioquímicos e biotecnológicos utilizados nos setores de biotecnologia; 

10 – Planejar, conduzir e gerenciar os processos bioquímicos e biotecnológicos utilizados no tratamento e reuso de águas destinadas à indústria de biotecnologia e dos seus efluentes líquidos, emissões gasosas e resíduos sólidos gerados. 

11 – Planejar, conduzir e gerenciar as operações unitárias da indústria alimentícia, produção de proteína animal e vegetal, farmacêutica, agroquímica, têxtil, biomateriais e bioquímica, utilizadas em todas as etapas da indústria de biotecnologia. 

12 – Realizar as atividades de estudo, planejamento, elaboração de projeto, especificações de equipamentos e de instalações das indústrias de biotecnologia

13 – Efetuar a aquisição, conduzir e fiscalizar a montagem e manutenção de máquinas e equipamentos de implementos e supervisionar a instrumentação de controle das máquinas existentes nas instalações das indústrias de biotecnologia. 

14 – Efetuar a condução de equipe de instalação, montagem, reparo e manutenção de equipamentos e de instalações das indústrias de biotecnologia.
...


Confira a resolução completa, aqui: Resolução CFQ dos Bioquímicos e Biotecnólogos

sábado, 24 de novembro de 2018

Crítica: estamos formando biólogos ou eternos bolsistas?



Quase 4 anos após a graduação, posso dizer: as faculdades estão muito longe da realidade de mercado. Sabe o Darwin? Ele é o que muitas das gerações de biólogos são hoje ainda: pode escolher biologia, mas não vive da biologia.

Como Biólogo, digo: muita ciência, pouca aplicação. Muitos títulos acadêmicos, pouco reconhecimento de mercado, sociedade e necessidade. Biólogo gosta de estar entre seus pares, a diferença entre likes do Facebook e citações é menor do que se pensa, não é? Mas a pergunta que fica é: quem ganha o reconhecimento da população e que paga até o acesso da revista científica?

Em minha graduação tive exatas 50 disciplinas. Se não fosse meu estágio curricular e cursos extras, além de minha experiência prévia desde os 16 anos, estaria no mesmo limbo da maioria de meus colegas: ou não se formaram ou não tem experiência prática relevante para o mercado, e o resultado é o desemprego.

É realmente desolador ver que colegas perdem 4/5 anos de suas vidas em uma graduação, mas saem dela sem saber o que é um CNAE, o que é uma ME, MEI, SIF, REBLAS, PIQ, IN, RDC ou mesmo em que áreas de atuação podem ou não assinar um laudo.

É entristecedor ver colegas que focam a faculdade toda em um laboratório acadêmico, em que aprendem uma única técnica não entenderem as justificativas de não serem contratados.

Estarrecedor ouvir de uma consultora farmacêutica na área regulatória ficar surpresa com um Biólogo RT perante a ANVISA. "Mas você pode ser o RT? A ANVISA aceitou?".

Os formados saem das faculdades sem saber abrir uma empresa, sem saber em que áreas estão habilitados, em que áreas podem trabalhar autonomamente.

Os culpados disso tudo? Os Biólogos!

Logo quando saí da universidade, meu primeiro emprego foi em um laboratório clínico. No interior do Estado de São Paulo, eram 4 laboratórios na cidade, mas só eu de Biólogo. O restante ou eram farmacêuticos ou eram biomédicos. 

Logo na primeira semana, escuto:

Técnica em Enfermagem: Dr. Fernando! O senhor aprendeu a fazer hemograma?
Fernando: Aprendi em São Paulo, mas por favor, me chame de Fernando que não sou Dr.

Demorou um mês para todos os profissionais que não eram de nível superior pararem de me chamar de Doutor. Foi difícil fazer a Enfermeira Chefe, os Farmacêuticos e Biomédicos que mesmo sendo bacharel como eles, eu não podia ser intitulado doutor. O biólogo era o único não doutor ali dentro.

A história acima existe por um motivo. No mundo dos Biólogos, ser doutor é um título acadêmico. As regras para o biólogo são: não use títulos que não possua. No mundo da saúde, ser doutor significa ser tratado no mesmo nível que um médico, que na maioria das vezes e no máximo, é especialista. Ao invés de se tratar médicos pelo nível que são, as outras classes da saúde habilitaram todos ao "Doutor (a)".

O problema gerado é que, na saúde, só o Biólogo não é Doutor. O médico sai da universidade abre sua clínica, o farmacêutico sai da faculdade e abre sua farmácia, o biomédico termina seus estudos e abre o laboratório. O biólogo costuma correr para uma vaga de mestrado, ou porque acha que só aquilo para ensinar algo, porque não conhece outro caminho ou porque os outros caminhos na iniciativa privada disseram não, mas a bolsa do CNPQ é bem vinda. Inclusive já ouvi mais de uma vez que o "ser" só se sentiu um biólogo de verdade depois do doutorado.

O profissional que acha que é capaz somente após o doutorado, sinto lhe dizer: é um frustrado. Ele precisou do título para se sentir no mesmo nível no mundo que ele vive, mas o mundo real exige a formação em Ciências Biológicas e o CRBio ativo. As chances de um doutor possuir as mesmas lacunas e erros da graduação que o impossibilitam de pleitear vagas, é visível pelo número de desempregados. E o pior, passaram mais seis anos pesquisando apenas um ou dois assuntos, mas querem concorrer em vagas de conhecimentos amplos.

Uma vez ouvi de um doutor em botânica: 

Dr: Que absurdo aquele concurso, cobrava muita legislação ambiental e pouca botânica! 

O que me perguntei mentalmente: se era para analista ambiental, o que achava que ia cair? Fotossíntese?

Ano que vem, os cursos de farmácia terão obrigatoriamente 5 anos, no mínimo 4 mil horas, os estágios terão de começar a partir do 3º semestre, 60% em farmácia clínica e atenção farmacêutica, 30% em análises clínicas (voltou a ser obrigatório) e 10% de livre escolha. Estamos falando de estágio de no mínimo 800 horas.

Nós da biologia, brigamos para ter 360 horas de estágio. Ainda bem que fiz mais de 2000 horas!

A Farmácia extinguiu o título de bioquímico para fortalecer a profissão de farmacêutico. Ninguém mais se formará e poderá se intitular farmacêutico-bioquímico. Ele é Farmacêutico. O biólogo quando atinge a pós, é geneticista, zoólogo, pesquisador, cientista, TUDO, menos biólogo!

Como se quer que o mercado leve a sério um profissional que diz que só se sente preparado depois de 10 anos de estudo? Como se quer que nos levem a sério, se as coordenações de cursos aceitam como "estágio" as iniciações científicas em que nada tem haver com o mercado de trabalho e nem exigem que o professor que dá esse estágio tenha CRBio ou outro conselho qualquer?

Na cidade de São Paulo, é notório em como os Biólogos se dão bem em controle de pragas e vetores. Mas também se vê que apesar disso, são pouquíssimas as faculdades locais que se preocupam em ministrar disciplinas na área, como: Pragas e Vetores, Entomologia Aplicada, Bioempreendedorismo, Química Aplicada.

As coordenações se eximem de contratar profissionais com experiência de mercado, alegando que o que importa é a titulação, pois seguem as regras do MEC. Tá cheio de Doutor e Mestre que também é empresário ou atuante, mas geralmente, não estão mais fazendo pós doc 1, 2, 3... Os coordenadores dizem que se o curso de biologia tiver 4 mil horas como o Conselho Nacional de Saúde prega que tenha, vai ter pouca procura. Adianta ter muita procura se 90% dos colegas ficam reféns de bolsas de pós-graduação e que muitas vezes só o atrasa para começar a pagar o INSS? A maioria nem atua e nem continua os estudos, parando na graduação. E não vemos a procura dos cursos de farmácia diminuírem por ter carga maior. As pessoas vão atrás de sonhos e prestígio, não adianta nivelar por baixo. Os cursos de engenharia tem 5 anos e ninguém diz que desistiu só porque era de 5 anos.

Daí lemos nos descritivos dos cursos por aí, que tem ênfase em meio ambiente. O biólogo sai da faculdade sem saber elaborar um orçamento de poda de árvore! O Biólogo sai da faculdade achando que trabalhar com meio ambiente é fazer inventário de fauna e flora, ou no máximo, gestão de unidades de conservação. Ele é incapaz de pleitear uma vaga na área de sustentabilidade industrial sem uma especialização, porque os professores nunca pisaram em uma indústria! Tem gente que sai da faculdade sem ter aprendido o que é um POP, BPL ou BPF!

Como querem que seus alunos sejam preparados para o mundo do trabalho se a maioria dos professores nunca atuou no mercado de trabalho? Mestrado e Doutorado NÃO É MERCADO DE TRABALHO!!! É CONTINUAÇÃO DOS ESTUDOS!!! Para ser professor não se precisa ser Biólogo, mas para ser Biólogo, precisa da graduação em Ciências Biológicas, CRBio ativo e uma chance no mercado de trabalho!

Acha que seu curso está bom? Faça uma pesquisa com todos os formados na sua universidade e veja quem trabalha na área, quem está empregado. Use como chamariz para sua universidade! Índice de empregabilidade de ex-alunos é o terror de muitas coordenações!

O trabalho na graduação é de formar biólogos, e não aspirantes à sua linha de pesquisa. Pensa nisso professor! A graduação forma o profissional biólogo, e não seus títulos após a graduação.

Estamos formando biólogos ou eternos bolsistas?



Fernando Cesar é Jornalista do Blog Biologia Profissional, Biólogo, Especialista, Analista de Laboratório na área de alimentos, Responsável Técnico na área de Saneantes, Diretor em uma associação estadual e Diretor em uma Federação.