segunda-feira, 9 de julho de 2018

Coordenação de cursos: o racha no CFBio

Tão óbvio quanto deveria parecer, mas sim, existem cursos de Ciências Biológicas, Biologia ou de Ciências, com habilitação em Biologia, que não possuem profissionais Biólogos no comando.

Não se consegue imaginar um curso de Direito sem uma pessoa formada em Direito na coordenação, assim como os cursos de Medicina sem um Médico no posto chefe da graduação.

Mas o que o Ministério da Educação acha disso? Para eles, como quase sempre, basta titulação acadêmica na área. Na dúvida, veja o link a seguir: http://portal.inep.gov.br/instrumentos, porém, no caso da Medicina, isso mudou com a Lei do Ato Médico, passando a ser obrigatório em lei, e não apenas por resolução do Conselho Federal de Medicina.

O que transforma um curso de Ciências Biológicas difícil de se coordenar para um não-biólogo, é sua amplitude. Se for um agrônomo, ele patinará na saúde, principalmente. Se for um farmacêutico ou biomédico, ele patinará no meio ambiente, sistemáticas e correlatos. O mesmo não ocorre se um farmacêutico coordenar um curso de biomedicina, pois dividem praticamente os mesmos campos de atuação, sendo que o farmacêutico possui áreas privativas e mais áreas de atuação.

Baseados nisso, Biólogos do Paraná procuraram o CRBio-07 para expor o óbvio. Cursos de Biologia só deveriam ser coordenados por Biólogos! O CRBio-07 entendeu como necessário a criação de uma Resolução no CFBio sobre a obrigatoriedade da demanda gerada. 

A proposta no CFBio foi rejeitada de acordo com a matéria publicada no site institucional do CRBio-07, com os votos contrários dos presidentes dos CRBios do Norte e Nordeste, menos Tocantins, que faz parte do CRBio-04. A justificativa foi de que as universidades, centros universitários e faculdades tem autonomia administrativa e simplesmente ignorariam a resolução.

Para verificarem a matéria, veja o link a seguir: 

O Blog Biólogo: Profissional da Vida, no intuito de obter mais material sobre o assunto, questionou o Sistema CFBio/CRBios sobre a matéria do CRBio-07 via e-mail, mas só obtivemos o retorno do CRBio-03 (RS-SC), que disponibilizamos abaixo:

"Ao cumprimentá-lo, agradecemos o seu contato e informamos que o CRBio-03 não irá se manifestar oficialmente sobre o assunto, tendo em vista o tema já ter sido deliberado pelo Conselho Federal de Biologia - CFBio."

Conversamos diretamente também com a Presidente do CRBio-06, a Bióloga Alcione Azevedo, que fiscaliza 6 dos 7 estados do Norte do Brasil. Ela corroborou a afirmativa de que seria uma resolução inócua pela autonomia administrativa das IES.

Para saber mais ainda, conseguimos a ATA da Sessão Plenária 336 ainda não disponível no site da Transparência do CFBio, para saber mais dos argumentos apresentados, que os transcorremos aqui:


Mas o que pensam outros Biólogos e pessoas sobre o assunto? Fomos ouvir as opiniões de outras entidades e pessoas ligadas ao assunto, as disponibilizando para vocês.

Posicionamento da ABIOPA - Associação de Biólogos no Pará


Nós, da Associação de Biólogos no Pará, apoiamos a proposta do CRBio-07 de que os Coordenadores dos cursos de Ciências Biológicas tenham formação de Biólogos, como definido no art. 1°, inciso I, da Lei 6.684 de 03 de setembro de 1979. Segundo o site do CRBio-07, a justificativa dada pelo CFBio para não aprovar a proposta é que as instituições de Ensino Superior não acatariam tal resolução, por terem autonomia administrativa. Discordamos desse posicionamento, pois acreditamos que um curso de Biologia tem demandas específicas para a formação do aluno, as quais apenas um Biólogo de formação na Coordenação poderia atender de forma satisfatória. A proposta aumentaria a qualidade da formação profissional dos egressos do curso de biologia, por conseguinte fortalecendo a profissão no país. E relembramos que, na alínea “i” da Portaria CFBio no. 211/2016, que estabelece o regulamento do Selo de Qualidade dos Curso de Biologia,  é avaliado de forma positiva que o Coordenador do curso de Ciências Biológicas seja graduado em Ciências Biológicas, o que demonstra que o próprio CFBio apoia a proposta em sua resolução. 


Bióloga Cleonice Maria Cardoso Lobato 
Primeira-Diretora da Associação de Biólogos no Pará 


Opinião da ex-presidente da ASSBIO-DF - Associação dos Biólogos do Distrito Federal


Concordo com a proposta do CRBio-07, que deve ser um Biólogo coordenando cursos de biologia, ainda mais sendo a biologia.


Bióloga Cristiane Citadin


Opinião do Presidente do SINDBIO-DF - Sindicato dos Biólogos do Distrito Federal


Concordo com a proposta do CRBio-07, sendo totalmente contra outras formações coordenarem cursos de biologia. O Biólogo é o único capaz de entender o todo da profissão, o cerne da classe e suas particularidades. A luz da constituição, entendo que a universidade pode por autonomia administrativa decidir que a meritocracia de um não-biólogo especializado em uma área da biologia, pode coordenar cursos de biologia, mas isso não quer dizer que é o certo e nem de longe o aceitável.


Biólogo Gildemar Crispim


Opinião do Presidente do SINDBIO-GO - Sindicato dos Biólogos do Estado de Goiás


Nós últimos anos, a qualidade da  educação superior  no Brasil vem sendo recorrentemente  questionada, seja pela ineficiência nas taxas de empregabilidade ou  priorização de lucros em detrimento do nível do ensino, sem falar da precarização das instituições públicas pela insuficiência de recursos. Sem dúvida, a formação de novos  profissionais tornou-se mais do que nunca um grande desafio. A disponibilidade de cursar uma universidade deveria ser compreendida de forma mais ampla do que um mero direito de acesso a educação. Gosto de falar nas palestras que optar por uma graduação passa por algo muito importante, assumir responsabilidades, apropriar-se de um conjunto de conhecimentos, princípios e valores, e não um simples ato de aglomerar informações, mas uma posição capaz de assegurar uma visão clara dos riscos, potencialidades e consequências de um determinado posicionamento dentro da sociedade como um todo.

O Conselho Federal de Biologia abordou em plenária a proposta de exigência de Profissionais Biólogos nas coordenações dos  cursos de graduação de Ciências Biológicas. Seguindo a ideia de que qualquer profissão deve ser assumida com responsabilidade, é inadmissível a coordenação de  graduação de qualquer curso por outra profissão. Não trata-se de corporativismo, mas sim um senso de justiça claro, colocando cada coisa no seu devido lugar, algo que infelizmente depende de princípios e valores que muitos não possuem. A proposta inviabilizada em plenário do CFBio, infelizmente visa corrigir uma falha que prejudica a formação dos futuros biólogos. A concepção de adotar a exclusividade de biólogos na graduação para biólogos, não só é um ato de justiça que ordena coerência óbvia, mas permite uma acompanhamento desse coordenador, pois já possuiria seu histórico no próprio conselho da categoria. Sabemos da autonomia das instituições de ensino e a fragilidade de um resolução neste sentido, mas será que não poderíamos buscar outros mecanismos?  Essa é a diferença clara de legalidade e legitimidade, onde a fragilidade legal não deveria ser fator de limitação a algo que é legítimo.

Biólogo Ygor Brandão
Pós-graduando em Economia e Trabalho - UNICAMP


Opinião de um ex-coordenador não-biólogo de Ciências Biológicas da Universidade de Mogi das Cruzes, campus Villa-Lobos, em São Paulo


1) O CFBio - Conselho Federal de Biologia está discutindo a possibilidade de se exigir em Resolução Normativa, a necessidade e obrigatoriedade dos cursos de Ciências Biológicas serem coordenados por Biólogos. O sr. já coordenou temporariamente um curso de biologia durante sua implantação. O que acha do assunto?


Na minha opinião os cursos de graduação devem ser coordenados por profissionais com formação do referido curso independente da profissão. O curso possui especificidades que um profissional da formação tem condições de decidir, adequar, modificar e mediar.


2) Com a experiência de coordenação que já possui, acha que outras formações dão condições para a coordenação de um curso de Biologia? 


No meu entendimento, não. A Biologia possui duas modalidades (bacharelado e licenciatura) e diversas áreas de atuação que são inerentes do Biólogo.


3) O Conselho Federal de Fisioterapia e Terapia Ocupacional tem alguma resolução sobre coordenações nas graduações ou especializações?

Não. Essa prerrogativa é do Ministério da Educação.


Fisioterapeuta Eduardo Filoni
Diretor Secretário
Conselheiro do CREFITO-3
Coordenador de Fisioterapia na UMC, Campus Villa-Lobos
Membro do Conselho Estadual de Saúde de São Paulo



Nos outros conselhos


Alguns conselhos, apesar de mesma situação jurídica que a do CFBio, já passaram por isso tem um tempo. 



Para o Conselho Federal de Biomedicina, na Resolução CFBm 278/2017:



... Compete privativamente ao profissional biomédico, dotado de titulação acadêmica compatível, a atuação nas seguintes searas da graduação em biomedicina:

I - Disciplinas de introdução às ciências biomédicas;
II - Disciplinas relacionadas à deontologia da profissão biomédica;
III - Coordenação de curso de biomedicina;
IV - Coordenação de estágios voltados às habilitações profissionais previstas na Resolução CFBm 78/2002.
Art. 2º Fica estabelecido o prazo de 1 (um) ano para a adequação dos cursos de biomedicina às condições da presente resolução.
Art. 3º A inobservância das condições estabelecidas nesta resolução representará óbice à inscrição de habilitação profissional junto ao Conselho Regional de Biomedicina.

Para o Conselho Federal de Farmácia, desde 2013 consta na Resolução CFF 590 que são atribuições privativas do farmacêutico a coordenação, direção e gestão de curso de Farmácia.
Corroborando o caso acima, as novas diretrizes curriculares no MEC da Farmácia obrigam qualquer curso de farmácia no Brasil a possuírem farmacêuticos na coordenação, a partir de outubro de 2019.


Possíveis caminhos

Mesmo que não haja instrumento jurídico impecável para a obrigatoriedade dos cursos de biologia serem coordenados por Biólogos,  hoje, solicitamos que sejam demonstrados por todas as vias de comunicação do Sistema CFBio/CRBios, quais medidas estão sendo tomadas para a efetivação do mesmo. A disponibilização on-line de ofícios, atas de reuniões com o Conselho Nacional da Educação e todos os instrumentos e expedientes sobre o assunto devem ser disponibilizados. Se é o MEC quem decide, quem nos representa no MEC tem essa preocupação? Ou podemos estar diante mais uma vez da romantização da profissão, onde o importante é o estudo da vida, e a formação profissional que fique para a segunda graduação? A resolução é no mínimo um instrumento de pressão moral, pois alunos podem cobrar isso das IES ao saber dessa obrigatoriedade pelo CFBio. Universidades particulares não pensariam muito sobre o assunto se os alunos resolvessem ir para a concorrência com um coordenador Biólogo e com matrizes mais adequadas para a sua formação. Não faltam Biólogos doutores no Brasil aptos para essa função. Uma profissão regulamentada que em tese, deveria preparar profissionais capacitados para atuar como Biólogos no mercado de trabalho, não pode ficar refém de sistemas educacionais aparelhados e se basear, por exemplo, no tempo de casa ou quantos artigos científicos se produz, principalmente os que nada tem haver com a profissão de Biólogo. A ciência/pesquisa é uma das áreas de atuação do Biólogo, e não a profissão em si.

Se o Conselho Federal de Farmácia conseguiu a obrigatoriedade de que cursos de Farmácia devem ser coordenados por Farmacêuticos, onde nós Biólogos, temos que apertar para que isso aconteça?

Podemos propor, através do legislativo, mudança na legislação da profissão e nesse caso, praticamente não haveria impedimentos corporativos ou financeiros. Podemos propor isso ao MEC diretamente? O ideal deve ser uma meta, não um sonho ou instrumento de convencimento. Isso não deveria ser um debate, porque egos acadêmicos muitas vezes falam mais alto que o objetivo final, no caso, a formação completa do Biólogo. Quando o conseguirmos, deve ser realizado por instrumentos diretos, verificáveis e vinculativos. 

O Selo CFBio é louvável, mas também é opcional e nem por isso deixou de ser criado. Quantos dos cursos agraciados pelo Selo CFBio mudaram sua coordenação só para conseguirem o selo? O quesito deveria ser fator de eliminação do concurso, não de pontuação.

terça-feira, 19 de junho de 2018

Federal de Biologia contra-ataca: ZOOLOGIA É NOSSA


A Resolução CFBio nº 476/2018, que dispõe sobre a atuação do Biólogo no manejo, gestão, pesquisa e conservação de fauna ex situ, e dá outras providências, é uma das mais completas resoluções do CFBio, englobando conservação, saúde e biologia aplicada.

Agora o Biólogo tem respaldo em diversas áreas, como a criação de animais, a tão esperada regulamentação das Análises Clínicas Animais ou mesmo a Falcoaria!




A Zoologia é NOSSA!



Veja a matéria sobre: 

Resolução na íntegra: 

domingo, 17 de junho de 2018

Urgente: Biólogos podem perder espaço na Biotecnologia

Introdução

Para quem acompanha os desdobramentos da profissão, sabe que infelizmente, somos traídos pela própria classe. A desinformação reina nas universidades, a superespecialização de colegas os cegam e muitas vezes, a falta total do mínimo de corporativismo necessário é mutilado pelo egocentrismo de acadêmicos, que na ânsia de dominarem departamentos ou se sentirem donos de uma causa, atacam a própria profissão. Sim, existe um professor biólogo no Brasil que articulou nas nossas costas perdermos o direito de sermos responsáveis técnicos de empresas de biotecnologia.

Existe até mesmo donos de Startups biólogos, que fazem vídeo dizendo que gosta mesmo de contratar não-biólogos para sua própria empresa, empregando gente que nos denigre em redes sociais, até mesmo lideranças contra nós, e mesmo assim, está infiltrado em um Conselho Regional de Biologia. Resta saber se o CRBio em questão sabe, que ao convidar esse Biólogo, podem ter colocado um disseminador de  gente e apoia quem tenta nos tirar áreas de atuação, só porque ele não teve uma formação que achou ideal.

Será que pensam que no futuro serão eles expulsos de seus próprios departamentos?

Este blog acompanha desde o início a formação de cursos na área de biotecnologia, sejam técnicos, tecnólogos ou bacharelados, de engenharia ou não. A verdade é que certas ciências e formações, sim e entendemos, são criadas mundo afora por uma questão de necessidade mercadológica, mas também sabemos que em alguns casos, são só uma necessidade de dar funcionalidade e emprego para professores.

Uma das graduações de biotecnologia mais emblemáticas do que me refiro acima, é a criação do curso no Campus Leste da Universidade de São Paulo. Não se esconde nem da imprensa que o curso foi criado porque as vagas do curso de Ciências da Natureza (licenciatura) ficavam ociosas, pois o curso, mesmo na USP, tem pouca procura. Dois erros. Ciências da Natureza por si só é um jeito de tirar as aulas dos Licenciados em Biologia ou em Ciências com habilitação em Biologia, sendo esses biólogos. Para quem é da área de educação, sabe muito bem que não faltam professores em determinadas disciplinas, e a biologia é uma delas. Faltam professores de física, com certeza, mas não de ciências ou biologia, bastando ver a quantidade de candidatos/vaga em qualquer concurso ou numa tarde de atribuição de aulas. Mesmo nas escolas periféricas, o que impede de alguém assumir aulas, são as condições de trabalho ou logística, e não a falta de profissionais formados nas licenciaturas tradicionais.

A USP resolveu extinguir o curso de Ciências da Natureza no período da tarde e dar um UP, lançando o curso de biotecnologia, e um dos argumentos, é que dá pra usar a mesma estrutura. Sendo uma formação do momento, o tempo de ociosidade acabou e os professores, que antes formavam outros professores, agora serão formadores de profissionais ditos da indústria e tecnologia da noite para o dia, já que na visão de alguns, biólogos, licenciados ou bacharéis, só abraçam árvores. Estranho esse argumento, já que muitos dos colegas biotecs, dizem que a formação é muito diferente, mesmo a grande maioria dos cursos de biotecnologia saírem dos departamentos de Biologia.

Não importa a tentativa de se descolar da biologia para falar de biotecnologia. Química, física, matemática e mesmo informática, são também disciplinas e áreas de atuação do Biólogo.

Eu mesmo, Biólogo, bacharel, atuo em campos que os biotecs ficariam surpresos. Para começo de conversa, atuo com controle de qualidade de produtos na área QUÍMICA, pois além de Biólogo, sou especialista pelo Instituto Adolfo Lutz em Análise Química, Física e Sensorial de Alimentos e Bebidas, e não foi uma especialização de 360 horas não, foi de 1920 horas. Não precisa pensar muito para ver que, eu uso meus conhecimentos de microbiologia e bioquímica, além de técnicas analíticas instrumentais, como o HPLC, para determinar se uma fermentação deu certo ou não, ou mesmo instruir o cliente, que o bioprocesso não está sendo feito na escala ou de maneira correta, ou mesmo que o tipo de microrganismo não tem a mesma eficácia que o outro do lote anterior. Para eu responder ao meu cliente, eu tenho que entender de biotecnologia e bioprocessos. Amo trabalhar com química de produtos naturais, e tenho gostado cada vez mais de química orgânica, pois é pura vida e biotecnologia ao utilizar isso em desenvolvimento.

Posso falar então da Responsabilidade Técnica de um Saneante de uma multinacional Argentina que assumi ano passado. O fator preponderante, foi, além dos assuntos regulatórios serem parte dos meus conhecimentos e formação, foi entender como o produto age na espécie alvo que o saneante pretende atacar. Foi poder avaliar resultados de toxicologia, de físico-químicas e de eficácia e segurança. Eu não preciso dizer que conheço todo o sistema da ANVISA e MAPA, né?

Unir a biologia, a bioquímica, a biologia molecular, a tecnologia, a matemática e a informática, faz parte da formação do Biólogo que resolve ir para o mercado de trabalho. Só não empreende quem não quer, ou porque resolveu ser pesquisador de apenas uma linha de pesquisa. 

O Biólogo é pleno e capaz de trabalhar em todas as áreas da biotecnologia.

E sim, eu tenho 2 empregos, 3 formações técnicas, sou jornalista no blog, graduado e pós-graduado, diretor em uma associação estadual em SP e suplente de diretoria em uma Federação com sede no RS, além de ter trabalhado quase 3 anos na presidência de um CRQ como concursado.

O perigo

Desde 2015, um projeto de lei corre na Câmara dos Deputados para regulamentar a profissão de Biotecnologistas e a criação de Conselhos para eles, mesmo já podendo se registrar nos CRQs.

Sobre os conselhos, o argumento é que os CRBios negavam seus registros, e que os CRQs não conseguiam dar todas as áreas de atuação que eles almejam, como engenharia genética.

O que os biotecs politizados não falam aos colegas, é que o Sistema CFBio/CRBios não registram os biotecnologistas, ecólogos, oceanógrafos, tecnólogos em gestão ambiental e técnicos em meio ambiente pelo FATO da lei que criou os conselhos de biologia não permitir. A lei dos conselhos de biologia é bem clara ao dizer, em 1979 (antes de qualquer curso de biotecnologia), que só os licenciados e bacharéis em biologia, história natural ou ciências, com habilitação em biologia, podem se registrar nos conselhos de Biologia. Os dirigentes do CFBio e CRBios, de maneira geral, são legalistas, e por isso, e tão somente por isso, não registram outras classes.

O Projeto de Lei 3747 de 2015 já nasceu fadado ao fracasso no que tange ao Conselhos dos Biotecnologistas. Os conselhos de fiscalização profissional, só podem ser de iniciativa do executivo, ou seja, do governo. Deputados sabem disso há décadas, pois sempre são vetados. Mas parece que o deputado ou não sabia ou jogou pra plateia. Temos o recente caso do veto do conselho dos Zootecnistas. Outro tiro no pé foi a tentativa inicial de colocar como privativo a Responsabilidade Técnica de empresas de Biotecnologia.

No Brasil existem vacinas, OGMs e tantos outros produtos de origem biotecnológica há tantas décadas e bem antes do primeiro curso de biotecnologia, que uma hora iriam se questionar como o Brasil é a potência que era e é sem a graduação dos Biotecnologistas. O Deputado Luciano Ducci percebeu e retirou a parte privativa e acrescentou emendas.

Nenhum direito a menos! Nenhuma atribuição a menos


No projeto original ou mesmo na proposta do Deputado Luciano Ducci, não há uma linha sequer de área de atuação em que os Biólogos não atuem de forma direta. Todas tem relação direta com a biologia ou são ligadas a ela, como infere nossa lei de regulamentação. Seja na saúde, na agricultura, na pecuária, no meio ambiente ou no ambiente estritamente industrial, o Biólogo também está presente.

Os Biotecnologistas são diferentes sim, sua formação tem objetivo diferente porque é mais fechada, mas nenhuma atribuição mencionada até o momento, difere das que os biólogos já atuam. Aliás, não há área dentro da Biotecnologia e Bioprocessos que biólogos não possam atuar. Isso porque a biotecnologia é uma especialidade dentro das Ciências Biológicas, e o Biólogo, é o Clínico Geral das Ciências Biológicas, que se especializa, e entenda essa especialização como estágios, ênfases ou mesmo experiências profissionais, e não somente como pós-graduações. O Biólogo é pleno dentro das Ciências Biológicas e só não pode atuar nas áreas que outras profissões já tem como privativas, e não por falta de competência, já que a nível de pesquisa, Biólogos atuam em praticamente qualquer área das Ciências da Vida.

No dia 13 de junho de 2018, na Câmara dos Deputados, uma audiência pública sobre esse projeto de lei ocorreu.

Um representante do CFBio, um biólogo mestre e doutorando em engenharia de bioprocessos e biotecnologia, que desenvolve kits de diagnóstico, apresentou as áreas de atuação do Biólo de forma resumida aos presentes.

Uma representante da LINABiotec, uma liga de acadêmicos dos cursos de biotecnologia, apresentou a definição do que seria a formação dos Biotecnologistas e algumas áreas de atuação.

Um representante do Ministério da Saúde, que apresentou como eles entendem a necessidade de regulamentação de novas profissões, na área da saúde.

Resumindo a história, o Deputado Mandetta (DEM-MS) mostrou aos presentes os perigos éticos e mercadológicos de se criarem cursos sem uma prévia discussão. Questionou se há alguma área/atribuição dos Biotecnologistas que os Biólogos já não atuam e propôs ideias. Se eu estivesse lá, mostraria o que aconteceu com os formados em Obstetrícia na USP e como eles tiveram que voltar ao banco das escolas na própria USP para poderem atuar.

O Deputado solicitou que os Biotecnologistas se entendam com o Conselho Federal de Biologia, que as atribuições dos Biotecnologistas fique de forma clara que também são atribuições dos Biólogos ou que consigam determinar algo que só eles aprendam e estudem no Brasil, e que os Biotecs se registrem nos CRBios, já que o conselho deles não vai passar e sua formação é área da biologia.

Ao invés do entendimento, os Biotecs estão contrariados e querem provar, agora na comparação de grades curriculares, e mesmo na avaliação de mestrados, doutorados e especializações, que são melhores que Biólogos, mesmo que estes sejam seus próprios professores.

NÃO ACEITAREMOS NADA QUE NÃO ESTEJA DE FORMA CLARA, OU SEJA, DE QUE TODAS AS ATRIBUIÇÕES DESCRITAS SÃO TAMBÉM ATRIBUIÇÕES DOS BIÓLOGOS! NENHUM DIREITO A MENOS, NENHUMA RESERVA DE MERCADO!

Veja você mesmo a Audiência Pública:




Seja ativo e lute pela sua formação:

Para acompanhar o Projeto de Lei: 

Para dizer ao deputado que a biotecnologia é área do Biólogo: 

Use sempre o #BIOTECédaBIO

Peço aos colegas que entrem nas redes sociais do deputado Henrique Mandetta, pelo link a seguir e publiquem o texto abaixo, ou um texto próprio, defendendo a profissão. https://m.facebook.com/henriquemandetta/…

Deputado Mandetta, como o senhor está? Assistimos a audiência pública sobre o PL 3747/2015 e gostaríamos de enfatizar que, como indicado pelo próprio deputado, não há área dentro da Biotecnologia que o profissional Biólogo não atue, sendo falaciosas quaisquer tentativas as insinuações de que não aplicamos conhecimento, e em qualquer nível de atuação dentro da área. Meio Ambiente, Saúde, Agropecuária e Indústrias são áreas e locais que os Biólogos estão inseridos desde sempre, como na área de produção de soros e vacinas, organismos geneticamente modificados, melhoramento de vegetais, animais, desenvolvimento de kits rápidos para o SUS no diagnóstico de doenças e tantas outras aplicações. Biólogos estudam desde o início para a atuação na Biotecnologia, a interface entre a biologia, bioquímica, física, matemática e tecnologia são objetos da formação do biólogo. Não somos contra o direito de outras profissões existirem, mas não aceitamos a diminuição de nossas atribuições de áreas em que nós mesmos ensinamos a outras classes. Somos plenos desde sempre no campo das Ciências Biológicas, e as casas de todo o Brasil possuem a prova de que somos presentes. #BIOTECédaBio

domingo, 10 de junho de 2018

É coisa de Biólogo: Paisagismo

Biólogo Murilo Cruciol
Chegou a hora de mais uma reportagem da série "É coisa de Biólogo"! Dessa vez entrevistamos um Biólogo de uma área em que os trabalhos são visíveis para todos os seres humanos: o paisagismo.

O Paisagismo é área do Biólogo há muito tempo, mesmo que praticada de uma forma que você não sabia, ou seja, legal mas pouco difundida entre nossa profissão, vide a cidade de Vinhedo/SP, com projetos do Gutaaf Winters, já citado aqui no blog. Verifique a beleza de muitos jardins botânicos também. Quando falamos de reconhecimento pelo CFBio, na primeira metade dos anos 2000, a Resolução CFBio nº 10 de 2003, que dispõe sobre as atividades, áreas e subáreas do conhecimento do Biólogo, indicou a Botânica Aplicada e Botânica Econômica como área de atuação. 

Já em 2010, o CFBio expediu a Resolução nº 227, que dispõe sobre a regulamentação das atividades profissionais e as áreas de atuação do Biólogo, em Meio Ambiente e Biodiversidade, Saúde e, Biotecnologia e Produção, para efeito de fiscalização do exercício profissional, já indica o Paisagismo e Arborização Urbana explicitamente. Essa resolução veio para pavimentar o caminho até a Resolução 449/2017, que trata das diretrizes para o Biólogo atuar em Paisagismo.

O entrevistado da série é o Murilo, que era e é leitor e comentador assíduo do blog, e que mais tarde, descobri ser um profissional com muita bagagem na área do Paisagismo! As fotos estampam parcelas de seu trabalho!


Blog - Olá, Murilo. O que é Paisagismo? Existem nomes diferentes para a área?

Murilo - Olá Fernando. Paisagismo é definido como a arte de criar, projetar, gerir e proteger os espaços livres. Sejam eles livres de áreas edificadas ou de áreas urbanizadas. O Paisagismo exige uma ação de projeto, de como trabalhar aquele espaço em todas as suas escalas. Não é uma ação puramente estética, mas sim uma ação que busca equilibrar funcionalmente, ambientalmente e esteticamente o ambiente em sua relação com o homem, trazendo qualidade de vida para todos. O Paisagismo pode receber o nome também de Arquitetura da Paisagem e é importante não confundir Paisagismo com jardinagem, a qual se caracteriza apenas pelo conjunto de técnicas usadas no plantio e manutenção dos jardins. 



"Daí na faculdade eu entrei querendo a área laboratorial, fiz alguns estágios e vi que ali não era a minha paixão, até que tive a matéria de Paisagismo dentro da disciplina de Botânica Econômica! Aí foi a realização para mim".




Blog - Há quanto tempo trabalha com isso? Como foi parar em uma área tão bela, mas pouco explorada pelos Biólogos?
Murilo - Eu trabalho há 9 anos com Paisagismo, contando com o período de estágio. Na verdade o Paisagismo existe na minha vida desde muito cedo. Desde os meus 13 anos eu já tinha meu orquidário e era um comprador compulsivo de revistas de paisagismo :). Adorava a revista Natureza e ficava horas lendo as matérias e aprendendo os nomes das plantas, as técnicas de cultivo e os projetos. Na época do ensino médio, quando não queria prestar atenção na aula, eu ficava “projetando” jardins nos cadernos. Daí na faculdade eu entrei querendo a área laboratorial, fiz alguns estágios e vi que ali não era a minha paixão, até que tive a matéria de Paisagismo dentro da disciplina de Botânica Econômica! Aí foi a realização para mim. Em menos de uma semana eu larguei a Iniciação Científica, entrei como estagiário em um escritório e estou na área até hoje.
Blog - Quais são os profissionais que trabalham com Paisagismo?
Murilo - Hoje no Brasil nós temos cerca de 5 profissionais habilitados com suas legislações específicas para trabalhar com Paisagismo (pensando em uma formação de curso superior): Arquitetura, Agronomia, Engenharia Florestal, Ciências Biológicas e Artes. Fora estes, existem os cursos técnicos e temos apenas um curso de Composição Paisagística na UFRJ. Veja que todos estes não formam o paisagista propriamente dito, são formações amplas que englobam esta profissão. Com isso forma-se um generalista que apresenta falhas em alguma esfera de conhecimento desta área. Vale ressaltar que a profissão paisagista não é regulamentada no Brasil como um ramo independente de atuação e formação profissional.
Blog - O que um Biólogo pode fazer ao se especializar?
Murilo - O Biólogo possui 2/3 dos conhecimentos científicos exigidos pela profissão. O conhecimento botânico, o entendimento ecossistêmico, fitopatologia, nutrição vegetal entre outras coisas. Mas como disse antes, o paisagismo é uma área multidisciplinar e, por isso, a arte utiliza a ciência como ferramenta para sua expressão. Então nos falta a questão artística e espacial. O biólogo deve procurar cursos de especialização sérios que contribuam com conhecimentos de composição, desenho, história do paisagismo, estilos e, claro, entender bem de construção civil. Porque nós intervimos no espaço livre, porém, no ambiente construído. E é aí que temos que entender até onde vai nossa atuação profissional, por exemplo, não projetamos pergolados, piscinas e estruturas arquitetônicas. Mas podemos ter parcerias onde a Biologia e a Arquitetura trabalham juntas e daí saem resultados incríveis.
Blog - Qual trabalho realizou até agora, que te deixou marcado?
Murilo - Dois trabalhos me marcaram muito. Um foi o projeto de um terreno com muito remanejamento topográfico que tínhamos um topógrafo junto e íamos acertando os detalhes finos do terreno com nossa equipe, enquanto ele fazia a parte mais bruta, além disso, tivemos um grande número de transplantes de palmeiras adultas neste terreno, o que foi bem desafiador e eu coordenei tudo.  E o outro foi um jardim vertical de quase 30m² em uma parede que também era o limite da piscina. Foi incrível projetar cada detalhe de como esse jardim seria construído e colocar a mão na massa no plantio e ver ele lindo hoje, é bem recompensador. 















Blog - As pessoas estranham quando diz que é Biólogo? Já sofreu preconceito por ser Biólogo?
Murilo - Sim. Completamente. Muita gente já me menosprezou por ser biólogo, mas sabe, é o que eu sempre digo para os estudantes que me procuram: o preconceito sempre vai existir porque nós biólogos acostumamos a sair correndo cada vez que levantam o tom para nós. Você não tem que discutir, você mostra o seu trabalho e a sua resposta é a sua competência.
Blog - Como foi sua reação ao ler a Resolução CFBio 449/2017? E as reações de outras profissões?
Murilo - Eu fiquei muito feliz. Costumamos dizer que o conselho não é atuante e que não faz nada, mas dessa vez ele fez e bem feito. Já era tempo deles publicarem uma resolução normatizando essa área. O grupo de trabalho que foi responsável pela resolução incluiu nomes reconhecidíssimos no país todo, como o Gustaaf Winters, responsável por inúmeros projetos de macropaisagismo urbano. Infelizmente a posição de outras profissões não foi tão positiva. Vivemos um período estranho onde “meio ambiente” é área de todos, onde qualquer um pode dar "pitaco" e atuar, porém quando nós reafirmamos algo que é do biólogo (e nem reafirmamos exigindo exclusividade), ocorre um "chororô" e até mesmo atitudes violentas como as que eu sofri em grupos de rede social. Parece que a Biologia é muito bem vinda para passar as informações para eles, fazer a pesquisa de base e entregar tudo mastigado para que outros façam a sua aplicação, o que na verdade é um grande disparate.
Blog - Pela formação generalista, biólogos tem uma visão do meio ambiente diferenciada, assim como uma formação muito forte em botânica. Como esse tipo de formação pode ser aproveitado no Paisagismo pelo Biólogo? É um diferencial no mercado?
Murilo - Com certeza e aí eu sempre reafirmo, é o nosso maior diferencial. É onde nós podemos nos destacar realizando projetos em que ao mesmo tempo nós recuperamos ambientes perturbados, degradados e trabalhamos a melhoria estética do espaço agregando os programas. Veja, nosso objeto de interferência é o espaço livre e hoje, com o caos ambiental presente nas nossas cidades, este tipo de conhecimento é imprescindível para começarmos a construir um ambiente urbano equilibrado e ambientalmente responsável. Desde parques e praças até mesmo nas casas e apartamentos, cada espaço é uma pecinha que fecha uma paisagem completa, muito maior e mais dinâmica. O paradigma em torno da escolha das espécies vegetais, por exemplo, está mudando nos últimos anos com a crescente exigência de espécies nativas na composição destas áreas verdes e não vejo ninguém mais preparado que o biólogo/botânico para isso. Grandes nomes do paisagismo brasileiro também falavam isto, como Roberto Burle Marx e Fernando Chacel, que aliás, acho uma lástima os cursos de Biologia não ensinarem quem foram estes homens e o incrível trabalho que fizeram e o respeito que tinham por nós e pelo nosso trabalho.
Blog - Apesar do reconhecimento pelo CFBio, você acha que as graduações tem dado preparo para um biólogo sair da universidade e abrir um escritório? O que acha que pode melhorar na formação atual do Biólogo?
Murilo - De forma alguma. E não é só relacionado com o Paisagismo, é com toda a área de atuação. E isso é um ponto de vista bem difundido. Pergunte a qualquer biólogo formado ou estudante de biologia e a resposta é praticamente unânime, a formação é em 2018 estruturalmente um curso de 1900 e bolinha, salvo raríssimas exceções. É uma vergonha. Os cursos de Ciências Biológicas no nosso país precisam URGENTEMENTE de uma reforma do começo ao fim pegando das normativas do CFBio até os docentes. É uma forma de raciocínio toda baseada nessa decoreba para passar em provas, é igual ao ensino médio. Aulas expositivas, cansativas, laboratórios repetitivos, nenhuma visão de aplicabilidade do conhecimento, é praticamente uma repetição dos livros didáticos do ensino médio. Isso é uma vergonha. Quanto ao paisagismo ficamos reféns dos conhecimentos das cadeiras de Botânica e Ecologia, até mesmo quando temos Botânica Econômica é um conteúdo teorizado. Não dá pra ser assim. Paisagismo é uma das áreas de fronteira da Biologia, é onde há ação, aplicação do conhecimento, até quando vamos ficar insistindo em formar profissionais bons de repetir ensinamentos e conteúdos clássicos? Isso pra mim se chama formar para vestibular e não para profissão. Então as graduações precisam ser repensadas, a linha de raciocínio precisa ser reestruturada, o estudante precisa ter a certeza que vai fazer um curso que vai preparar ele tanto para uma atuação profissional mercadológica quanto para a área acadêmica (que jamais deve ser diminuída para implementar a outra abordagem).
Blog - O que os alunos de Biologia e Biólogos podem buscar para serem Biólogos Paisagistas?
Murilo - Primeira coisa: estudar. Muito. Estudar demais. É outra pegada, não tem o mesmo ritmo que a área acadêmica, você vai criar espaços, você vai resolver problemas reais de conforto, de estética, de degradação ambiental, de produção de alimentos como as hortas urbanas, então antes de tudo, entenda que é uma outra realidade e que isso demanda estudo e preparo para tal, estudo autodidata. A faculdade não vai te preparar para isso. Hoje com a internet tem muito conteúdo à disposição, em livros, grupos de paisagismo, cursos técnicos e especializações como o IBRAP, por exemplo.  Aí você vai estudar os seus pontos fracos e vai atrás de um estágio em escritórios de paisagismo. Vai encontrar dificuldade imediata quanto a não ser arquiteto, mas mostre vontade, tenha compromisso e se dedique. Estudo + estágio + dedicação, essa é a fórmula. O Paisagismo é nossa área e precisa de nós.
Blog - Você faz mestrado em Arquitetura e Urbanismo na área de conforto térmico associado a paredes verdes. Como foi a receptividade de um Biólogo no meio dos Arquitetos da UNESP de Bauru?
Murilo - Exatamente. Depois de anos trabalhando em escritório, eu decidi entrar para o mestrado e, de novo, depois de uma busca intensa em programas de pós-graduação de Biologia eu me vi desolado por não encaixar este tema em nenhum deles. Nem nos programas de Botânica, nem de Ecologia, todos eram sempre as mesmas coisas e quando tinha algo aplicado, não abraçava a ideia. Aí eu tive na Arquitetura todo o aparato para desenvolver minha pesquisa com o tema que eu amo, com o conhecimento de mercado que a academia geralmente tanto despreza e com um grupo de professores que me receberam com o maior carinho do mundo. O Programa de Pós-graduação em Arquitetura e Urbanismo da UNESP-Bauru me recebeu com todo carinho, aprendi e estou aprendendo muito e estamos muito motivados, desenvolvendo bons projetos juntando Paisagismo, Biologia e Arquitetura.  A troca de conhecimentos é riquíssima e eu espero que mais programas de pós-graduação deixem de ser tão fechados em suas caixinhas e possam abraçar projetos interdisciplinares e ousados, porque a construção do conhecimento é assim, ela não é fechada em cercas conteudistas.
Blog - Já recebeu convites para ministrar ou coordenar cursos na área?
Murilo - Sim. Desde que entrei no mestrado recebi convites para palestras e aulas em cursos de Biologia, Arquitetura e estou à disposição para isto. O trabalho com jardins verticais é incrível e tem muita coisa boa ainda para ser pesquisada e ensinada. Eu acho que a decisão de você entrar na área acadêmica deve ser muito ponderada e ser claro o porquê você está lá. No nosso país é claro e declarado que área acadêmica gera professores universitários e é meu objetivo futuro. Se fosse para um aprofundamento voltado ao mercado, com certeza eu teria buscado outras modalidades de pós-graduação.
Blog - Deixe uma mensagem para os Biólogos interessados em Paisagismo, sobre o que eles encontrarão se focarem nisso.
Murilo - Vocês encontrarão uma área encantadora, libertadora e desafiadora. Há uma demanda que precisa de solução e é incrível quando você coloca todo seu conhecimento aplicado e consegue resolver. Você percebe que mudou para melhor a vida das pessoas envolvidas com aquele espaço em tão pouco tempo. Encontrarão dificuldades, mas elas fazem a vitória final ser mais gostosa. Lembrem-se: estudo, comprometimento e trabalho.

Obrigado pela entrevista!

Murilo Cruciol Barbosa é Biólogo, formado pela Faculdade de Ciências da UNESP de Bauru, aluno de mestrado em Arquitetura e Urbanismo pela Faculdade de Arquitetura, Artes e Comunicação da UNESP de Bauru, ganhou o 1º lugar na apresentação de painéis no primeiro Congresso de Biologia na mesma universidade (2018) e trabalha com Paisagismo desde 2010, projetando e implantando jardins.

Contato: murilo_cruciol@yahoo.com.br